Super El Niño avança e preocupa produtores rurais e Defesa Civil no Brasil
Super El Niño: produtores e Defesa Civil se preparam

O avanço do super El Niño entrou no radar de cidades e do campo no Brasil, gerando preocupação com riscos de incêndios florestais, chuvas acima da média e seca severa. Produtores rurais e órgãos de defesa civil já se mobilizam para enfrentar os extremos climáticos previstos para os próximos meses.

Produtores adotam sistemas regenerativos para enfrentar extremos

O produtor Lucas Sigefredo, proprietário de uma fazenda na Grande Belo Horizonte, cultiva frutas e hortaliças no mesmo espaço, utilizando eucaliptos podados como cobertura orgânica para conservar a umidade e equilibrar a temperatura do solo. “Quem tem sistemas que trabalham dentro dessa linha de regeneração, de agrofloresta, de biodiversidade, tem mais capacidade de resiliência para poder lidar com as dificuldades que estão por vir aí pela frente”, afirma Sigefredo.

A preocupação do produtor tem nome: o super El Niño. O fenômeno surge com o aquecimento anormal das águas do Pacífico. No Brasil, provoca chuvas acima da média na Região Sul; seca no Norte e no Nordeste; e calor intenso, com chuva irregular, principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste.

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Planejamento é chave para reduzir riscos, diz pesquisador

O pesquisador Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, destaca que o planejamento ajuda a lidar com os extremos do clima. “Fazer plantio escalonado, porque você reduz o risco de plantar em um período só e, exatamente naquele período, pegar algum problema de seca ou chuva excessiva”, explica Loyola.

O El Niño pode impactar a produtividade no campo e também a segurança nas cidades. Em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, fortes chuvas no fim de 2025 causaram enxurradas, deslizamentos de terra e mortes. A possibilidade de eventos ainda mais extremos nos últimos meses de 2026 já mobiliza a Defesa Civil, principalmente em áreas de risco.

Defesa Civil intensifica ações preventivas

“Normalmente, as pessoas procuram a gente para a gente fazer as vistorias e, agora, a gente vai atrás dessas pessoas já mapeadas para evitar os danos possíveis antes que aconteça um desastre maior”, afirma Guilherme Cunha, diretor de prevenção da Defesa Civil de Sabará (MG).

O coordenador de Operações do Cemaden, Marcelo Seluchi, ressalta que as ações de prevenção precisam estar prontas antes dos efeitos do El Niño: “Todos os municípios precisam elaborar, se é que não têm, o que se chama plano de contingência. Isso é especialmente importante em situações de chuvas muito intensas, que podem gerar inundações, deslizamentos e, se houver algum tipo de estrutura - comportas, represas, reservatórios -, eles precisam estar adequados para o tipo de impacto que é esperado nos próximos meses”, afirma Seluchi.

Estados do Sul fazem treinamento conjunto

No Rio Grande do Sul, que enfrentou enchentes devastadoras há dois anos, o sistema de proteção passou por manutenção. O estado também reuniu forças de segurança da Região Sul para treinamento conjunto. “O objetivo principal aqui é que a gente entenda os protocolos de cada estado, a gente possa convergir para um protocolo conjunto. É a primeira vez, então, que a gente se reúne para treinar e alinhar protocolos”, diz o coronel Jeferson de Souza, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina.

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