O setor de serviços no Brasil registrou queda de 0,4% em maio, contrariando as projeções do mercado e intensificando os sinais de desaceleração da economia. O resultado, divulgado nesta segunda-feira, ficou abaixo do esperado por analistas, que previam estabilidade ou leve alta.
Queda puxada por transportes e outros serviços
O recuo foi influenciado principalmente pelo desempenho negativo do segmento de transportes, que caiu 1% no mês, e da categoria “outros serviços”, que inclui atividades como serviços técnicos e profissionais. Já os serviços prestados às famílias mantiveram trajetória positiva, crescendo 0,3% em maio.
Impacto na economia e projeções do PIB
Economistas avaliam que o resultado reforça o cenário de desaceleração gradual, sem configurar um colapso. As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permanecem entre 1,7% e 2%, mesmo com os juros altos impactando a atividade. Segundo analistas, a queda no setor de serviços é um reflexo da política monetária restritiva e da incerteza fiscal.
Análise setorial
O segmento de serviços é o maior da economia brasileira e responde por cerca de 70% do PIB. A contração em maio interrompe uma sequência de resultados positivos nos meses anteriores. Entre os subsetores, apenas serviços de informação e comunicação apresentaram alta significativa, enquanto atividades imobiliárias e serviços profissionais recuaram.
Especialistas destacam que a desaceleração é esperada em um contexto de juros elevados, mas o ritmo da queda preocupa. O Banco Central mantém a Selic em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e reduz o consumo de serviços.
Perspectivas para os próximos meses
Para junho, a expectativa é de estabilidade, com viés de baixa. O mercado aguarda os dados de emprego e renda para avaliar se a tendência de desaceleração se acentuará. A pesquisa mensal de serviços do IBGE aponta que o setor acumula alta de 1,2% no ano, mas perdeu fôlego nos últimos meses.



