Roubos e furtos em Pinheiros fazem moradores pensarem em se mudar
Roubos e furtos em Pinheiros: moradores pensam em se mudar

O crescimento no número de roubos e furtos na região do 14° Distrito Policial (Pinheiros), na zona oeste de São Paulo, tem feito com que moradores pensem em deixar a região para fugir dos crimes. Como mostrou o Radar da Criminalidade, ferramenta desenvolvida com exclusividade pelo Estadão, a região do 14° DP registrou alta de roubos e furtos entre janeiro e abril.

Aumento de 7% nos roubos e 8,8% nos furtos

Foram 1,2 mil notificações de roubo, aumento de 7% ante o mesmo período do ano passado. Já os furtos saltaram para 3,4 mil ocorrências (+8,8%). A região é alvo frequente da ação de falsos motoboys.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informa que a Polícia Militar intensificou o policiamento na Vila Madalena e Pinheiros. A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) também diz fazer operações para combater crimes comuns na região, como furto e receptação de celulares.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Moradores relatam traumas e mudança de rotina

Com medo da violência, moradores ouvidos pelo Estadão já planejam trocar de endereço, embora essa seja uma das regiões mais valorizadas do centro expandido, com ampla oferta de comércio e infraestrutura urbana, como estações de metrô.

O biólogo Nelson Novaes, de 50 anos, que vive há onze em Pinheiros, pensa em vender sua casa após ser vítima de assalto. Em um curto espaço de tempo, ele e a família foram assaltados duas vezes por motociclistas armados. “Foi bastante traumático, mas eu quis acreditar que era algo pontual. Mas quatro dias depois, a gente também saindo de jantar novamente, fomos assaltados na rua de trás”, relata.

A ocorrência mais recente foi em maio, quando o biólogo sofreu uma tentativa de assalto na rua Teodoro Sampaio ao ir a pé para a academia. “A gente mudou bastante a nossa forma de vida aqui dentro. A gente vai nos restringindo cada vez mais. Antes a gente vivia o bairro de manhã, à tarde, à noite. Passamos a viver um toque de recolher. A partir das 18h, só saio de carro. Eu que não tinha carro, comprei novamente. Cada vez mais nosso direito de viver está sendo violado”, afirma.

Por este motivo, o biólogo está procurando um novo lar em um outro bairro. “A partir do momento que você deixa de poder usufruir (da liberdade) e começa a ter que depender de carro para tudo novamente, de repente faz mais sentido até eu me mudar para um bairro mais distante e viver encastelado. É o que eu quero? Não é. Mas diante desse cenário, que eu não vejo como melhorar, o nosso movimento atual é esse”.

Moradora relata pânico após assassinato próximo

Aglay Louzada, de 51 anos, vive em Pinheiros desde 2010 e pensa em deixar o bairro ‘todos os dias’. “O que tem realmente afetado é que minha rotina já não é mais a mesma do que era antes da pandemia. Eu deixei de fazer várias coisas. Isso realmente faz com que a gente não tenha mais paz para andar no bairro”, diz.

Ela conta que seu marido já presenciou diversos assaltos enquanto passeava com a cachorra do casal pela área. Além disso, um jovem — Vitor Rocha, de 23 anos — foi baleado e morto durante assalto próximo à sua residência, em janeiro do ano passado. O rapaz caminhava com o namorado pela Rua Joaquim Antunes quando foi abordado por dois criminosos em uma moto. “Essa foi uma situação limite. Depois disso, o pânico de qualquer tipo de motocicleta que venha, ele ficou insustentável. Passa uma motocicleta por mim, e viro estátua”, conta Aglay.

Bancário avalia criminalidade como fator decisivo

O bancário Marcos Santos, de 38 anos, diz que sempre pensa em se mudar por causa da violência. “A gente já não sai com nada. E o que mais me preocupa aqui é a violência que os assaltos têm tido aqui, né? Onde o assaltante é muito agressivo, principalmente se você não tem nada de valor. Eu já não uso aliança, que é uma coisa que eles vão muito em cima. Eu saio com o relógio pra ter alguma coisa pra dar pra ele”.

O bancário diz que ‘está 100% do tempo avaliando outras localidades’. “Hoje, o segundo driver meu de escolha de onde morar já é a criminalidade. Antes era preço barra custo-benefício. Hoje em dia, a criminalidade já é algo que preocupa e a gente já leva em consideração quando a gente procura algum lugar pra morar”. Enquanto não concretiza o plano, ele e a mulher mudaram a rotina.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Secretaria de Segurança informa ações

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado informou ao Estadão que as polícias Civil e Militar atuam em conjunto em toda a capital, incluindo Pinheiros, visando a “coibir todo tipo de modalidade criminosa com ações de policiamento ostensivo, patrulhamento preventivo e operações baseadas em análise de inteligência policial”.

Ainda afirma que a PM intensificou o policiamento na região de Pinheiros. A pasta diz que são realizadas as operações “Impacto”, com foco em crimes contra o patrimônio, “Big Mobile e Mobile”, contra furto, roubo e receptação de celulares, “Drake”, contra roubo de motocicletas, e “Pedal”, contra roubos praticados por falsos ciclistas entregadores de aplicativo.

As ações, conforme a secretaria, contribuíram para a prisão e apreensão de 307 infratores nos bairros e queda de 7,64% de ações delituosas no 1º quadrimestre, em comparação com o mesmo período de 2025.