Duas semanas após o início da operação Tolerância Zero, a orla do Rio de Janeiro apresenta mudanças significativas. Reportagem do GLOBO percorreu os calçadões de Copacabana e Ipanema e constatou reforço na fiscalização, redução do comércio irregular e uma alteração no perfil dos ambulantes, que agora ocupam trechos da faixa de areia.
Fiscalização reforçada e calçadões livres
Os calçadões da Zona Sul amanheceram mais livres para os pedestres. A operação, que começou há duas semanas, intensificou a presença de agentes da ordem pública e da guarda municipal, coibindo a atuação de vendedores ambulantes não autorizados. A medida faz parte de um pacote de ações da prefeitura para ordenar o espaço público e devolver a tranquilidade aos moradores e turistas.
De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, a fiscalização foi ampliada em horários estratégicos, incluindo fins de semana e feriados. A pasta informou que, desde o início da operação, houve um aumento de 40% nas apreensões de mercadorias irregulares em comparação com o mesmo período do mês anterior.
Comércio irregular em queda
A redução do comércio irregular é visível. Barracas e caixas de isopor que antes ocupavam os calçadões de Copacabana e Ipanema deram lugar a espaços limpos e desobstruídos. A prefeitura afirma que a ação visa combater a concorrência desleal com o comércio formal e garantir a segurança alimentar dos consumidores.
Segundo a Associação de Comerciantes de Copacabana, a medida foi bem recebida pelos lojistas, que reclamavam da perda de vendas devido à informalidade. O presidente da associação, Carlos Alberto, destacou: “A orla voltou a ser um lugar agradável para passear. Antes, era difícil circular entre as mercadorias expostas no chão. Agora, o pedestre tem prioridade.”
Ambulantes migram para a faixa de areia
Uma das mudanças mais notáveis é a migração dos ambulantes para a faixa de areia. Com a proibição nos calçadões, muitos vendedores passaram a atuar nas praias, onde a fiscalização é menos intensa. Essa realocação, no entanto, tem gerado discussões sobre a necessidade de regulamentação.
Especialistas em urbanismo ouvidos pelo GLOBO apontam que a medida pode ser positiva se houver um ordenamento adequado. “A faixa de areia tem espaço para todos, desde que haja regras claras e respeito ao meio ambiente. É preciso criar um cadastro de ambulantes e delimitar áreas específicas para a atuação deles”, avalia a urbanista Maria Fernanda.
Impacto na rotina de moradores e turistas
Para os moradores, a sensação é de alívio. A aposentada Dona Lúcia, que caminha todos os dias pela orla de Ipanema, comemorou: “Agora consigo andar sem esbarrar em ninguém. Antes, era um empurra-empurra para passar. Melhorou muito.”
Os turistas também aprovaram. O casal francês Pierre e Sophie, que visitava o Rio pela primeira vez, elogiou a limpeza e a organização dos calçadões. “Está muito bonito, dá vontade de caminhar. Em Paris, temos problemas parecidos com vendedores ambulantes, mas aqui está bem controlado”, disse Pierre.
Próximos passos da operação
A prefeitura pretende estender a operação a outras regiões da cidade, como a Zona Oeste e o Centro, nas próximas semanas. Segundo a Secretaria de Ordem Pública, o objetivo é criar um modelo de gestão do espaço público que possa ser replicado em toda a cidade.
Enquanto isso, a orla do Rio segue se adaptando à nova realidade. A expectativa é que, com o tempo, a fiscalização se torne rotina e a informalidade perca espaço para o comércio legalizado e a convivência harmoniosa entre todos os frequentadores.



