O número de passageiros de trens, barcas e metrô no estado do Rio de Janeiro caiu drasticamente nos últimos anos. De acordo com um estudo inédito de 41 especialistas, a queda chega a 60% desde 2014, refletindo uma mudança profunda nos hábitos de deslocamento dos cariocas.
Os números da crise no transporte público
O levantamento, intitulado "Mobilidade Urbana no Rio de Janeiro: Transformações e Desafios", foi coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados mostram que, em 2014, os sistemas de trens, barcas e metrô transportavam cerca de 1,5 milhão de passageiros por dia útil. Em 2023, esse número caiu para aproximadamente 600 mil.
"A redução é alarmante e tem causas múltiplas", afirma o professor Carlos Alberto Pereira, um dos coordenadores do estudo. "O crescimento do trabalho remoto, a popularização dos aplicativos de transporte e o avanço das vans ilegais são os principais fatores."
O avanço das alternativas
O estudo aponta que o uso de aplicativos como Uber e 99 cresceu 350% no período, enquanto o número de vans clandestinas nas regiões metropolitanas dobrou. O trabalho remoto, por sua vez, reduziu a demanda por deslocamentos diários, especialmente entre profissionais de classe média.
"Perdemos passageiros que antes eram cativos", lamenta o presidente da SuperVia, concessionária dos trens urbanos, em entrevista ao blog. "A pandemia acelerou um processo que já estava em curso."
Impacto na economia e no meio ambiente
A queda no uso do transporte público tem consequências diretas. As concessionárias acumulam prejuízos: a SuperVia registrou déficit de R$ 200 milhões em 2023. Além disso, o aumento do uso de veículos individuais eleva a emissão de poluentes e agrava os congestionamentos.
"Precisamos de políticas públicas que tornem o transporte coletivo mais atrativo", defende a secretária estadual de Transportes, Maria Silva. "Isso inclui investimento em infraestrutura, segurança e integração tarifária."
O que dizem os especialistas
O estudo recomenda a criação de um bilhete único metropolitano, a ampliação das ciclovias e a implantação de faixas exclusivas para ônibus. "Soluções integradas são o caminho", conclui o professor Pereira.
Os dados completos serão apresentados em seminário no dia 15 de março, na UFRJ.



