Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Canoas propõe a proibição dos rodeios crioulos no município, após a repercussão de vídeos que mostram cenas de maus-tratos a bovinos durante uma prova no Parque Eduardo Gomes. As imagens, que circularam nas redes sociais em maio, exibem peões desferindo estocadas contra os animais enquanto os conduziam.
Justificativa do projeto
O vereador Cris Morais (PV), autor da proposta, argumenta que o objetivo é preservar a vida e que práticas que envolvem sofrimento animal não podem ser aceitas sob o pretexto de tradição ou cultura. “É inadmissível que nos dias de hoje ainda tenhamos por cultura o sofrimento animal, a tortura, os maus-tratos e a dor alheia. Não se pode colocar a vida de seres vivos em risco por lucro ou entretenimento”, afirma o parlamentar na justificativa do projeto.
Posições contrárias
O presidente da Câmara de Vereadores de Canoas, Abmael de Oliveira (PL), manifestou-se contra a proposta. Segundo ele, o projeto atinge diretamente uma das principais manifestações da cultura gaúcha. “A gente sabe do tratamento que é dado aos cavalos e aos bois. Sou totalmente contrário ao projeto, porque ele fere principalmente a cultura do gaúcho”, declarou.
O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Alessandro Gradaschi, também se opõe ao projeto, mas o respeita. Ele afirma que a entidade repudia qualquer prática de maus-tratos contra animais e destaca que os rodeios vinculados ao movimento devem seguir rigorosamente a legislação e os regulamentos tradicionalistas. “Qualquer situação que leve aos maus-tratos dos animais nós não concordamos. Não é a orientação e não é aquilo que está nos nossos regulamentos. Caso isso venha a ser comprovado, vamos tomar as medidas cabíveis para coibir e punir os responsáveis”, afirmou Gradaschi.
Impacto econômico
O economista da Universidade Feevale, José Moura, autor de um estudo que indica que os rodeios crioulos movimentam R$ 2 bilhões anuais na economia do estado, defende que denúncias de maus-tratos devem ser punidas com rigor, mas é preciso considerar o impacto econômico de uma eventual proibição. “A proibição total dos rodeios crioulos pode gerar impactos econômicos, sociais e culturais significativos, afetando empregos, renda e diversas atividades ligadas à cadeia produtiva tradicionalista”, argumenta o professor.
Próximos passos
O projeto de lei ainda será discutido nas comissões da Câmara antes de ir a votação. Enquanto isso, o debate entre a preservação da tradição gaúcha e a proteção dos animais continua dividindo opiniões na cidade.



