Prefeitura de SP planeja mega-arena em Pinheiros; MP investiga
Prefeitura de SP planeja mega-arena em Pinheiros; MP investiga

Prefeitura de São Paulo propõe mega-arena em Pinheiros

A Prefeitura de São Paulo está desenvolvendo um projeto de arena multiuso com estrutura esportiva, capacidade entre 7 e 20 mil pessoas, um hub de inovação e um edifício-garagem com 6 mil m² às margens da Marginal Pinheiros, na zona oeste da capital. A administração municipal abriu chamamento para mapear o interesse do mercado sobre a viabilidade da Parceria Público-Privada (PPP). No entanto, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito para investigar o projeto após moradores apontarem riscos ambientais, piora no trânsito e perda de equipamentos públicos na região.

Detalhes do projeto e área envolvida

O espaço oferecido para esta PPP é uma área de 53.795 m² que atualmente abriga a Subprefeitura de Pinheiros, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Unidade de Vigilância em Saúde Lapa/Pinheiros. Segundo o edital, os estudos apresentados pelas empresas interessadas podem incluir propostas de demolição de edificações ou estruturas preexistentes, se necessário, para implantar os novos equipamentos. A previsão do Município é que o eventual espaço terá três laboratórios temáticos: GovTech, Cidades Sustentáveis e Mobilidade Inteligente. O projeto inclui também a construção de uma ponte sobre o Rio Pinheiros e a gestão da Praça Victor Civita.

Andamento do processo e prazos

O projeto está em fase de Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse (PPMI). O prazo final para envio de propostas foi estendido, terminava nesta quarta-feira, 8, mas foi ampliado para até o dia 10 de agosto. Ainda não há definição sobre modelo de parceria, tempo de contrato e quem empregará os recursos necessários (se a gestão pública ou a privada). Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o projeto “está em fase de procedimento preliminar de manifestação de interesse (PPMI) e tem por objetivo a apresentação de projetos, informações, estudos por pessoas físicas ou jurídicas, individualmente ou em consórcio”. Nesta fase, são avaliadas projeções de demanda, fontes de receita, impactos urbanos etc. A gestão afirma que a região é “estratégica”, “com intensa atividade empresarial” e próxima a eixos de transporte urbano, como a estação e o terminal Pinheiros, a cerca de 700 metros da Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Investigação do Ministério Público

A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo pede à Prefeitura que explique se o projeto tem estudos de impacto ambiental (EIA/Rima) e de vizinhança (EIV), além da compatibilidade com os parâmetros urbanísticos para a região. Também cobra o cronograma após o chamamento para ouvir o mercado e as propostas de consulta popular sobre a ideia.

Reação das associações de moradores

Associações de moradores acionaram o Ministério Público contra o plano. As entidades afirmam que os órgãos públicos presentes no imóvel, como a Subprefeitura de Pinheiros, representam um importante ponto de apoio para a comunidade local. Segundo Eliana Oliveira, do Coletivo Baixo Pinheiros, um centro de eventos prejudicaria a mobilidade. “O Baixo Pinheiros, especialmente, já é uma área congestionada, com inúmeros problemas de perturbação de sossego e de zeladoria. Não é uma área que comporta uma arena. Além disso, não tem sentido tirar todos esses equipamentos públicos sem informar para a população onde eles vão ficar”, afirma. Maria Helena Bueno, presidente da Associação dos Amigos de Alto de Pinheiros (SAAP), acrescenta: “Fica parecendo que aquele é um espaço sem uso, o que não é verdade”. Para ela, também é preciso entender se a construção não traz ameaças ambientais, como impactar os lençóis freáticos e elevar o risco de enchentes na região.

Antecedentes: tentativa anterior em 2017

Em 2017, na gestão de João Doria (então no PSDB), a Prefeitura chegou a assinar um acordo com as construtoras Setin e Cyrela, donas do terreno do Parque Augusta, no centro da cidade, para viabilizar a implementação do parque. Em troca, a administração municipal iria ceder 18 mil m² do terreno da sede da Subprefeitura de Pinheiros e parte do prédio da CET para as incorporadoras. No entanto, o acordo não se viabilizou após análise da Justiça.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar