Pane no sistema da CET esconde trânsito real durante greve de trens em SP
Pane na CET oculta trânsito real durante greve de trens em SP

Em meio à greve parcial dos ferroviários em São Paulo, o sistema da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que mede a extensão da lentidão no trânsito apresentou pane e ficou fora do ar por algumas horas. Quem tentou consultar o site da agência no final da manhã encontrou o painel de monitoramento registrando 0 km de congestionamento, um dado claramente irreal para um dia de paralisação.

Problema técnico e dados incorretos

A CET detectou o problema após o sistema apontar, erroneamente, que a capital paulista teve mais de 2.000 km de lentidão no horário de pico. Em comunicado breve, a companhia orientou: "No momento, pedimos para desconsiderar os dados do site da CET, porque o sistema passa por instabilidade de manutenção. Enviaremos o índice correto por meio de nota oficial assim que possível."

O site só foi normalizado após as 14h. Retroativamente, o órgão informou que o pico de lentidão da manhã de terça-feira (04) foi de 724 km, registrado às 8h30. Esse número ficou abaixo do esperado para um dia de greve, mas ainda assim refletiu o impacto da paralisação. Para efeito de comparação, o recorde da manhã em 2026 ocorreu em 12 de março, com 1.059 km às 8h, e o recorde histórico do pico matinal é de 1.225 km, registrado em 2 de fevereiro de 2020, no período pré-pandemia.

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Medidas para minimizar o impacto

A extensão do congestionamento foi maior do que em dias normais, entre outros fatores, porque a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos. Além disso, diante da greve na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foi ativado o sistema Paese, que disponibiliza ônibus de transferência entre as estações fechadas, aumentando a frota de coletivos em circulação.

Os ferroviários paralisaram parcialmente as Linhas 11 (Coral) e 12 (Safira) e totalmente a Linha 13 (Jade). A greve ocorreu em protesto contra as falhas apresentadas pela Trivia Trens, dias após a empresa assumir a concessão das linhas que antes eram da CPTM. A região mais afetada foi a Zona Leste da capital, além de municípios como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá.

Plano de contingência e decisão judicial

O governo de São Paulo adotou um plano de contingência, antecipando a abertura das linhas 1 (Azul), 2 (Verde), 3 (Vermelha) e 15 (Prata) do Metrô para as 4h (o normal é 4h40) e colocando mais trens em circulação. A CPTM acionou a Justiça, e o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2) determinou um contingente mínimo de operação durante a greve: 80% do efetivo nos horários de pico (entre 4h e 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários.

Apesar dos transtornos, passageiros que circulavam entre estações conectadas com o metrô, como Barra Funda e Tatuapé, conseguiram chegar ao destino, ainda que com atraso, graças à operação parcial em dois ramais bem conectados ao sistema metroviário. A greve criou dificuldades, mas as medidas adotadas ajudaram a minimizar o caos no trânsito e no transporte público.

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