Minas naturais fazem água brotar em ruas de Campinas; moradores reclamam
Minas naturais fazem água brotar em ruas de Campinas

Quem passa pelo cruzamento das ruas Coronel Quirino e Santos Dumont, no bairro Cambuí, em Campinas (SP), encontra poças de água que nunca desaparecem, independentemente do clima. A água brota do asfalto, formando poças persistentes que incomodam moradores e comerciantes da região.

Moradores relatam falta de retorno da Prefeitura

A advogada Carolina Aguiar, que mora nas proximidades, afirma que o problema persiste há mais de um ano. "O meu prédio abriu protocolo na Prefeitura com reclamação, já faz mais de um ano. E nada, não vimos nenhuma movimentação, não tivemos nenhum retorno", contou. A situação tem causado transtornos, com água acumulada na via pública atraindo mosquitos e provocando mau cheiro.

Origem da água: minas subterrâneas e bombeamento de prédios

A Sanasa, empresa de saneamento de Campinas, realizou vistoria no cruzamento e verificou que a água empoçada é proveniente de uma mina no subsolo. Essa água é bombeada por prédios da região e lançada na via pública, sem um sistema de drenagem adequado para escoá-la.

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O professor e mestre em urbanismo João Verde explicou que o problema tem raízes geológicas e de infraestrutura. "O solo está encharcado, o lençol freático sobe ao nível de alcançar a superfície e a água passa a brotar em determinados locais", disse. Ele acrescentou que o Cambuí praticamente não tem rede de drenagem, especialmente nas ruas mais altas como a Coronel Quirino. "Tem um bom trecho da Coronel Quirino que enche na época das chuvas fortes, fica tudo alagadíssimo", completou.

Vila Itapura também sofre com água bombeada de condomínio

Na Rua Passos, na Vila Itapura, a reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, identificou fluxo contínuo de água vindo do subsolo de um condomínio, onde o líquido é bombeado para a via. Um morador que não quis se identificar contou que a situação causa poças permanentes. "Sempre passa água ali, sempre tem essa água parada", disse.

O jardineiro Marco Antônio Simões, que trabalha no condomínio, afirmou que o bombeamento é inevitável. "Essa é uma mina de água da escavação do prédio. É uma água da natureza, então ela tem que sair, porque dentro do prédio não consegue ficar", justificou.

Soluções possíveis e posição da Prefeitura

João Verde sugeriu que a água poderia ser reutilizada para lavagem de pisos, calçadas, irrigação de plantas e até descargas sanitárias, reduzindo o desperdício e o impacto nas vias. Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que estuda soluções para a melhoria de pontos específicos da rede de drenagem do Cambuí, mas não há prazo para conclusão. A administração também ressaltou que novos empreendimentos devem prever a interligação do sistema de drenagem dos subsolos à rede pública, para evitar o lançamento de água diretamente na via pública.

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