Mãe culpa apostas online pela morte do filho e quer alertar outras famílias
Mãe culpa apostas online pela morte do filho e quer alertar

Daysi Donola, empresária de Jundiaí (SP), vive o luto há menos de 30 dias após perder o filho Lucas Donola da Silva, que tirou a própria vida. Ela atribui a tragédia à transformação causada pelo vício em apostas online, que começou em 2023. Agora, Daysi quer transformar a dor em alerta para outras famílias.

Transformação silenciosa e sinais de alerta

Segundo Daysi, Lucas era um jovem amoroso, educado e generoso, mas mudou drasticamente após conhecer as apostas na casa de um amigo. Ele passou a não dormir direito, fazer apenas uma refeição por dia, pedir dinheiro emprestado a familiares e desconhecidos, e se isolou da família. “Nós começamos a ver uma transformação muito grande”, contou a mãe ao g1. Entre o fim de 2025 e maio de 2026, a distância aumentou, e Lucas tornou-se agressivo verbalmente, perdendo empregos e usando rescisões para apostar.

Tentativas de ajuda e a perda

Daysi tentou retirar o celular de Lucas e buscar acompanhamento psiquiátrico, mas ele resistia ao tratamento. “Tinha muita resistência em aceitar as terapias”, disse. Ao chegar de uma viagem, encontrou o corpo do filho. A família se mudou de casa, mas a mãe guardou pertences de Lucas em uma caixa, incluindo roupas, óculos e perfume. “Parecia que eu estava deixando Lucas lá”, desabafou.

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Dor e saudade

“Não existe um dia em que eu não chore”, relatou Daysi, que descreve o silêncio da casa como perturbador. O apoio da filha Gabriela tem sido fundamental. Ela planeja transformar a experiência em trabalho de conscientização: “Se a história do Lucas puder salvar uma vida, já terá valido a pena”.

Vício em apostas como doença

A neurologista Ana Paula Gomes, do Pilar Hospital (PR), explica que o transtorno do jogo é reconhecido como doença, ativando o sistema de recompensa do cérebro com dopamina. “A pessoa perde o controle, continua apostando apesar dos prejuízos”, afirmou. Os sinais incluem pensar em apostas o dia todo, apostar valores crescentes, mentir, fazer dívidas e irritabilidade. O tratamento envolve psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e, em alguns casos, medicação.

Impacto no Brasil

Segundo estudo do Banco Central de 2024, cerca de 24 milhões de pessoas físicas participaram de apostas no Brasil, movimentando entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões mensais. A maioria dos apostadores tem entre 20 e 30 anos, mas os mais velhos gastam mais, com média mensal superior a R$ 3 mil. Em junho de 2026, mais de 180 casas de apostas online estavam registradas no país, contra 109 em 2025.

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