Linha 4 do metrô do Rio opera com metade da capacidade após 10 anos
Linha 4 do metrô do Rio: metade da capacidade em 10 anos

Prestes a completar uma década de operação, a Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro ainda opera com metade de sua capacidade total. Inaugurada em 2016, a linha que liga a Praça General Osório, em Ipanema, ao Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, transporta atualmente cerca de 101 mil passageiros por dia, número muito abaixo do projetado inicialmente. De acordo com dados oficiais, os trens circulam com metade dos assentos vazios em média.

Demanda aquém do esperado

A baixa demanda é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo os efeitos persistentes da pandemia de Covid-19, a consolidação do home office e a falta de integração eficiente com outros modais de transporte. A concessionária responsável pela operação informou que, antes da pandemia, a linha chegou a transportar 130 mil passageiros diários, mas o número nunca atingiu a meta de 200 mil.

“A Linha 4 foi planejada para um cenário de crescimento econômico e expansão imobiliária que não se concretizou plenamente. A pandemia acelerou mudanças nos hábitos de deslocamento, e a integração com ônibus e BRT ainda é precária”, afirma o especialista em mobilidade urbana Carlos Mendes, da UFRJ.

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Estação Gávea: obra inacabada

Um dos principais gargalos para a plena operação da linha é a estação Gávea, cuja construção foi paralisada por problemas financeiros. As obras foram retomadas recentemente, mas a previsão de conclusão foi adiada para 2028. A estação deveria conectar a Linha 4 ao bairro da Gávea e à Rocinha, uma das maiores comunidades do Rio, mas segue sem previsão de entrega total.

“A conclusão da estação Gávea é essencial para ampliar o alcance da linha e atrair mais usuários. Enquanto isso, a estação de São Conrado, próxima à Rocinha, registra baixo movimento, como mostra a imagem do local”, destaca a reportagem.

Impacto imobiliário e perspectivas

Apesar dos desafios operacionais, a Linha 4 impulsionou a valorização imobiliária na Barra da Tijuca, com aumentos significativos nos preços dos imóveis próximos às estações. No entanto, a baixa demanda levanta questionamentos sobre o custo-benefício do investimento bilionário.

Especialistas apontam que a solução passa por políticas de integração tarifária e ampliação da malha de transporte de superfície. “Sem uma rede coesa, o metrô continuará subutilizado”, conclui Mendes. Enquanto isso, a Linha 4 completa dez anos operando muito abaixo de seu potencial.

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