O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, ferido no desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, já consegue ficar em pé e dar os primeiros passos com a ajuda de um andador. A evolução foi registrada pela família e publicada nas redes sociais no sábado (1º). Ele permanece internado em um hospital particular de São Paulo e já iniciou a fisioterapia nas pernas e nos braços.
Ein contato com o g1, a irmã dele, Edileuza Muniz, celebrou a recuperação. "Ele está bem, graças a Deus. Está na fase das fisioterapias e cada dia se recuperando mais. É incrível a força de vontade dele de superar tudo isso. Meu irmão é um guerreiro, um milagre", afirmou.
Nove cirurgias e transferência para a capital paulista
Edinaldo foi uma das quatro pessoas que estavam sobre a ponte quando a estrutura cedeu, na noite de 5 de junho. Ele sofreu traumatismo craniano, trauma interno abdominal e renal e passou por nove cirurgias em razão das lesões. Após quase duas semanas internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Rio Branco, foi transferido na madrugada de 18 de junho para o Hospital Vila Nova Star, centro especializado em neurocirurgia de São Paulo. O transporte ocorreu em uma UTI aérea, por meio do Tratamento Fora de Domicílio da Secretaria de Saúde.
O juiz fazia uma transmissão ao vivo no local quando a ponte desabou. As imagens de câmeras de segurança registraram o momento da queda. O local já estava interditado desde o dia anterior, porque havia risco de desabamento às margens do Rio Iaco.
Feridos que já receberam alta
Dos quatro feridos, Edinaldo é o único que permanece internado e foi o mais atingido. Weverton Murieta, de 34 anos, foi o primeiro sobrevivente a deixar o hospital. No dia 9 de junho, o advogado Edinei Muniz, de 51 anos, também recebeu alta. Dois dias depois, em 11 de junho, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, deixou o Pronto-Socorro de Rio Branco após passar por cirurgia ortopédica e retirar um dreno torácico.
Justiça bloqueia bens da construtora
No dia 12 de junho, a Justiça do Acre determinou o bloqueio de bens da Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte. A decisão atendeu a uma ação cautelar apresentada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) na Vara Cível de Sena Madureira. O objetivo é garantir recursos para a reparação dos danos causados pelo desabamento.
O bloqueio foi fixado em até R$ 36 milhões, valor correspondente ao custo da obra. A Justiça também manteve a suspensão de contratos e pagamentos do governo estadual à empresa, determinou a preservação de documentos e provas relacionados à construção, como projetos, relatórios de fiscalização, medições e registros técnicos. O Estado deverá apresentar, em até 15 dias, as apólices de seguro da obra e informações sobre eventual comunicação do sinistro à seguradora.
Laudos e plano de reconstrução
Outra determinação estabelece o prazo de 30 dias para a apresentação do laudo oficial sobre as causas do desabamento e do laudo de dano ambiental elaborado pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre. Nesse mesmo prazo, a construtora e o Estado deverão apresentar um plano de trabalho com cronograma para a retirada dos escombros e a reconstrução da ponte. O governo também precisa detalhar ações emergenciais para garantir a manutenção da Estrada Mário Lobão.
O que se sabe sobre o desabamento
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela Construtora Cidade Ltda., a obra custou mais de R$ 36 milhões. Segundo o Corpo de Bombeiros, a parte que ruiu corresponde a 60% da extensão da estrutura, cerca de 139 metros.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente, e o Ministério Público do Acre solicitou uma perícia ao DNIT para verificar possíveis falhas no projeto, na execução da obra ou nos materiais utilizados. Mais de um mês após o desabamento, as investigações foram prorrogadas por mais 30 dias. De acordo com a Polícia Civil, o prazo foi estendido porque o laudo pericial, principal peça técnica do inquérito, ainda não foi concluído.
Após o acidente, a Justiça determinou que a construtora adotasse medidas emergenciais para reduzir os riscos à população, sob pena de multa diária. A empresa informou que havia identificado rachaduras e movimentações no solo dias antes do desabamento e que recomendou a interdição da ponte. Segundo a construtora, a queda foi provocada pelo fenômeno conhecido como "terras caídas", um processo de erosão das margens dos rios comum na região amazônica.



