Juiz de Fora registra, em média, quase um caso de desaparecimento por dia neste ano de 2026. Os dados do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos de Minas Gerais (PLID/MG) revelam que os adolescentes, na faixa etária de 12 a 17 anos, são o grupo mais afetado, com 47 ocorrências, o maior número entre todas as idades.
Adolescentes lideram estatísticas de desaparecimento
Os números indicam que 47 adolescentes desapareceram na cidade até julho de 2026. Esse contingente supera os registros de outras faixas etárias, como adultos entre 31 e 40 anos (31 casos) e pessoas de 41 a 50 anos (26 ocorrências). Especialistas ouvidos pelo g1 alertam que, na maioria das vezes, esses desaparecimentos não estão ligados a crimes como sequestro, mas sim a conflitos familiares, sofrimento emocional e até mesmo situações de violência doméstica.
A psicóloga Luana Marçal explica que a adolescência é um período de intensas transformações biológicas, emocionais e sociais, o que aumenta a vulnerabilidade dos jovens. "Como esse desenvolvimento ainda não está concluído, o adolescente tende a agir mais por impulso e a ter maior dificuldade para avaliar as consequências das próprias decisões", afirmou a especialista.
Fatores que levam à fuga de adolescentes
De acordo com a psicóloga, a busca por autonomia e identidade pode levar o jovem a tomar atitudes extremas quando o ambiente familiar não oferece acolhimento. "Na maioria das vezes, a fuga está relacionada a conflitos dentro de casa. Ambientes muito rígidos, desentendimentos frequentes, falta de aceitação da orientação sexual ou da identidade de gênero, além de situações de violência física, psicológica, sexual ou negligência, podem fazer com que o adolescente veja a saída de casa como uma alternativa", detalhou Luana Marçal.
Os principais sinais de alerta incluem: afastamento gradual da família, alterações bruscas de humor, queda no rendimento escolar, isolamento social e comportamentos que indiquem que o adolescente esteja escondendo algo, como excesso de sigilo no uso do celular. A psicóloga reforça que esses sinais costumam aparecer tanto em casa quanto na escola e que, quanto mais cedo forem percebidos, maiores são as chances de prevenir situações de risco.
Perfil das pessoas desaparecidas em Juiz de Fora
Os dados do PLID/MG mostram que, em Juiz de Fora, as mulheres são a maioria entre os desaparecidos, representando 59,34% dos registros, enquanto os homens correspondem a 40,66%. Em relação à cor declarada, foram registrados 68 desaparecidos pardos, 58 brancos e 47 pretos.
Outro dado relevante é que, em 58,79% dos casos, era a primeira vez que a pessoa se ausentava. Além disso, 40,11% tinham histórico de uso de bebida alcoólica, 39,56% faziam uso de medicamentos controlados, 38,4% registravam uso de substâncias tóxicas e 35% apresentavam histórico de depressão.
Aumento de alertas em Minas Gerais
O número de pessoas com alerta de desaparecimento em Minas Gerais apresentou variações nos últimos anos: em 2023, foram 2.016 casos; em 2024, 2.139; em 2025, 3.414; e, em 2026, até julho, 1.724. Esses números refletem a necessidade de atenção contínua das autoridades e da população.
Como agir em caso de desaparecimento
Contrariando o senso comum, não é necessário esperar 24 horas para registrar um desaparecimento. Assim que houver indícios de que a pessoa está desaparecida, familiares ou responsáveis devem procurar uma delegacia da Polícia Civil ou uma unidade da Polícia Militar para registrar um boletim de ocorrência. É importante levar uma fotografia recente e fornecer o máximo possível de informações, como características físicas, roupas usadas no momento do desaparecimento, locais frequentados pela pessoa, contatos de amigos e familiares, e informações sobre problemas de saúde ou uso de medicamentos.
Após o registro, o desaparecimento passa a integrar os sistemas de busca das forças de segurança, permitindo a divulgação das informações e o início das diligências. A agilidade no registro é fundamental para aumentar as chances de localização.



