IA recria trampolim da Rua do Porto e corridas de carro em Piracicaba
IA recria trampolim da Rua do Porto e corridas em Piracicaba

Entre os anos 1950 e 1980, quem frequentava a Rua do Porto, em Piracicaba (SP), podia se divertir em um trampolim instalado nas águas do Rio Piracicaba, no ponto onde hoje está a rampa dos pescadores. A plataforma de madeira durou cerca de três décadas, até enferrujar e desabar. O cenário, extinto há décadas, voltou a ganhar vida em um vídeo produzido por inteligência artificial (IA) pela EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região.

No sábado (1º), a cidade completou 259 anos. Para celebrar a data, a emissora usou fotografias antigas disponíveis na internet e compartilhadas por moradores para recriar também as corridas de carro na Avenida Armando de Salles de Oliveira, febre na década de 1960, e obteve imagens de drone da cachoeira da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

O trampolim que desabou

O entorno do Rio Piracicaba, hoje um dos locais mais conhecidos e importantes da cidade, transformou-se em um concorrido complexo gastronômico. Antes disso, o trampolim era um ponto de encontro para os piracicabanos. O pescador e piloto de barco Luís Fernando Magossi lembra como a estrutura se perdeu. "Começaram a balançar lá em cima e esse trampolim quebrou, começou a pender para o lado de lá do poço, ficou uns 30 ou 40 graus inclinado por um tempo, não tinha como reformar e daí cortaram por causa do problema", recorda.

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Corridas na Armando de Salles

Uma das avenidas mais movimentadas e importantes de Piracicaba, a Armando de Salles Oliveira, também foi palco de velocidade. Na década de 1960, os carros disputavam corridas no trecho entre a Vila Rezende e o centro, passando por cima da linha do trem. A febre automobilística atraía público para as margens da via, que, na época, também servia de pista.

O ex-piloto Benedito Gianetti Júnior, então com 12 anos, guarda recordações desse período. "Os carros corriam nessa avenida no sentido da Vila Rezende para o centro, passavam por cima da linha do trem, então, umas características especiais que tinham dessa corrida que faziam naquela época", conta.

Fotos do acervo pessoal de Gianetti mostram a estrutura montada para dar segurança ao circuito. As barreiras eram feitas com fardos de restos de cana-de-açúcar amassada. "São fardos de resto de cana de açúcar amassada, faziam os fardinhos, aí eram uma proteção do muro, que se o carro batesse, isso segurava", explica.

Os acidentes e capotamentos, no entanto, fizeram com que as provas deixassem as ruas. Piracicaba passou a contar com um autódromo, e a tradição das corridas de rua é mantida, uma vez por ano, pelas 100 Milhas de Piracicaba.

Cachoeira da Esalq

No campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, a Esalq, existe uma cachoeira que foi muito frequentada no passado e hoje tem acesso proibido para evitar afogamentos. O local, carinhosamente chamado de "cachoeirinha da Luiz de Queiroz", foi registrado em imagens de drone pelo perfil Bobina Piracicaba, do influenciador Danilo Favarim, com apoio da equipe da EPTV.

O jornalista e escritor Cecílio Elias Netto frequentava o lugar quando jovem. "Os que mais sabiam nadar, pulavam dela do alto", lembra.

Memórias que ficam

Ao longo de 259 anos, Piracicaba viu hábitos, espaços e atividades se transformarem. Para Cecílio Elias Netto, essas mudanças não apagam o passado, que deve servir de referência. "Não tem jeito de nós fugirmos do passado, seria muito loucura fugir do passado. Não é viver o passado, não é isso, mas tê-lo como referencial", afirma.

As recriações feitas por IA e os registros históricos reunidos pela EPTV formam, juntos, um retrato afetivo de Piracicaba. O trampolim da Rua do Porto, as corridas de carro na Armando de Salles e a cachoeira da Esalq permanecem vivos na memória coletiva da cidade — e agora também em imagens.

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