Falta d'água em Nova Europa afeta rotina e causa transtornos no Jardim São Paulo
Falta d'água em Nova Europa afeta rotina e causa transtornos

A rotina dos moradores do bairro Jardim São Paulo, em Nova Europa (SP), tornou-se um desafio diário por causa da falta de água. O serviço essencial, que deveria ser básico, agora exige que as famílias monitorem as torneiras a qualquer hora para conseguir armazenar o pouco que chega. A escassez se estende por dias consecutivos, comprometendo tarefas simples como tomar banho e limpar a casa.

Moradores relatam caos doméstico com acúmulo de louças e roupas sujas

A dona de casa Maxileni Aparecida de Araújo de Toledo registrou a situação de sua residência, com pias cheias de louça e roupas acumuladas. Ela descreveu o dilema enfrentado: "É o banheiro que fica com mau cheiro. Se você não lavar pelo menos o banheiro da casa, a casa fica impregnada. As louças ficam cheirando azedo em cima da pia, que não tem condições, não tem como lavar. Porque se usa água para fazer a limpeza, aí você não toma banho. E se você tomar banho, você não tem como usar água para outros tipos de limpeza da casa. Aí fica difícil, né?", desabafou.

Márcia Balduíno da Silva Barleto, que mora no bairro há 20 anos, relatou a instabilidade: "Fica três dias sem água, dois dias sem água. Aí a gente começa a fazer serviço, aí fica essa bagunça, a gente não pode ir no médico, não pode deixar nada ligado. Porque o aparelho, deixar a máquina ligada, já sabe, né? Queima. E está aí, faz dias já, desde sábado, a água volta, quando volta meia-noite, volta um pouquinho". A situação chegou ao ponto de seu marido faltar ao trabalho por não ter roupa limpa: "Ontem, meu marido não foi trabalhar ontem, ontem eu tive que passar a roupa dele suja, para ele vestir, porque não tinha água para lavar a roupa".

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Redução na capacidade de armazenamento agravou crise

O bairro Jardim São Paulo, o mais populoso de Nova Europa, depende atualmente de uma caixa d'água com capacidade de apenas 100 mil litros. Anteriormente, havia um reservatório de 200 mil litros, mas ele foi desativado por apresentar rachaduras e vazamentos severos. A prefeitura informou que a falta d'água ocorre devido à desativação desse reservatório rachado.

Prefeitura construirá novo reservatório com capacidade triplicada

O secretário de Saneamento, Ivan Kaneta, explicou que medidas foram tomadas no poço artesiano para mitigar falhas mecânicas: "A gente também decidiu revestir o poço de maneira integral para que se cessasse esse tipo de problema com queima de bomba constante". A prefeitura iniciou no ano passado a construção de um novo reservatório com capacidade para 300 mil litros, o triplo do atual. A previsão de entrega é de quatro meses. Até lá, novos episódios de desabastecimento e alterações na cor da água podem ocorrer. Kaneta justificou: "A nossa água é 100% tratada. Essa situação de água esbranquiçada, às vezes, é a pressão, a própria pressão da água que vem depois da religação dela. E também, quando seca, a tubulação acaba soltando alguns retritos, o que é normal".

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