Destino de bens apreendidos de criminosos no RJ: projetos sociais e segurança
Destino de bens apreendidos de criminosos no RJ

Reutilização de bens apreendidos no Rio de Janeiro

O destino de carros de luxo, grandes quantias em dinheiro e até ouro apreendidos nas mãos de criminosos no Rio de Janeiro tem mudado. Parte desses bens agora financia projetos sociais, reforça as forças de segurança e ajuda na formação de novos militares.

Ouro do tráfico vira tatame para jovens

Em 2014, a Polícia Federal apreendeu 20 quilos de ouro em barras em uma casa em Muriaé, Minas Gerais. O material pertencia ao traficante Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó, apontado como líder do Comando Vermelho e chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Foragido desde 2019, o ouro foi leiloado e parte do dinheiro financiou equipamentos de musculação e um tatame no centro de treinamento da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio. O projeto social 'Aventura Federal' oferece aulas de jiu-jitsu a jovens do Morro da Providência. 'Me deu responsabilidade e me afastou do caminho errado', disse o estudante Ítalo Lins, de 17 anos.

Veleiros de luxo na formação de marinheiros

Dois veleiros apreendidos em operações conjuntas da Polícia Federal, Receita Federal e Marinha agora são usados na formação de aspirantes na Escola Naval. Um deles, um veleiro oceânico de luxo apreendido na Marina da Glória, foi importado sem documentação e sem pagamento de impostos. Outro foi interceptado em Angra dos Reis em 2024 com fraude documental. Cerca de 600 alunos utilizam as embarcações em treinamentos na Baía de Guanabara, essenciais para ensinar na prática a leitura dos ventos e correntes.

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Carros de luxo viram frota policial

Um SUV blindado que pertenceu a Glaidson Acácio dos Santos, o 'Faraó dos Bitcoins', hoje integra a frota da Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio. O ex-dono está preso desde 2021 e condenado a mais de 19 anos por organização criminosa e corrupção ativa. Segundo o Ministério da Justiça, veículos apreendidos vêm sendo incorporados às forças de segurança, reforçando operações e reduzindo custos.

Mudança de foco: bloquear bens do crime

As autoridades priorizam agora o bloqueio e a recuperação de bens, em vez de apenas prender criminosos. 'O dinheiro é o oxigênio do crime organizado', resume o secretário de Segurança Pública, Victor Santos. Dados da Procuradoria-Geral do Estado mostram que mais de R$ 673 milhões foram recuperados em ativos ilícitos no Rio nos últimos oito anos. Especialistas alertam que o bloqueio financeiro precisa vir acompanhado de controle territorial. 'Não basta apreender bens se o controle territorial continuar nas mãos do crime', afirma Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A nova política de destinação representa uma virada: o que antes ficava parado e se deteriorava agora vira investimento em segurança pública e iniciativas que mudam o futuro de jovens em áreas vulneráveis.

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