A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) assinou, nesta quinta-feira (16), o termo de autorização para início das obras da usina de dessalinização de Fortaleza, conhecida como Dessal do Ceará. A previsão é que as obras comecem, de fato, em cerca de 60 dias e que a usina esteja pronta no segundo semestre de 2028.
Localização e tecnologia
O terreno onde a usina será construída fica localizado entre o calçadão e o mar da Praia do Futuro, no trecho que vai da Rua Ismael Pordeus à Rua Miguel Calmom. A área total é de 88.300 m², avaliada em R$ 31.266.147. Quando estiver pronta, a planta vai utilizar a tecnologia de osmose reversa para tornar potável a água do mar. A usina terá capacidade de dessalinizar 1 mil litros d'água por segundo, o que corresponde a 12% da demanda de água de Fortaleza.
Além da usina propriamente dita, as obras incluem a construção das estruturas de captação de água no mar e as adutoras que vão distribuir a água: uma para a estação Mucuripe, no Morro Santa Teresinha; e outra na estação da Praça da Imprensa, no bairro Aldeota. Segundo a Cagece, as obras devem durar 24 meses. Nesta primeira fase, antes das obras em si começarem, será realizada a compra dos materiais necessários, como a tubulação a ser usada na planta de dessalinização.
Histórico e atrasos
A usina foi anunciada em 2017 pelo Governo do Ceará. A ordem de construção, porém, só foi assinada pelo governo estadual em julho de 2021. A previsão inicial era que a usina estivesse em funcionamento em 2025. Agora, a expectativa é que a usina seja entregue somente no segundo semestre de 2028. O projeto da Dessal é capitaneado pela Cagece, mas será tocado por meio de uma parceria público-privada (PPP) chamada Águas de Fortaleza - formada pelas empresas Marquise S/A, PB Construções LTDA e Abegoa Água S/A. O consórcio deve investir mais de R$ 3 bilhões no projeto como um todo. O presidente da Cagece, Neuri Freitas, explicou que, para construir a usina em si, devem ser investidos cerca de R$ 526 milhões. No entanto, o valor deve ser atualizado, uma vez que a estimativa foi feita com preços de 2020, já desatualizados.
O projeto se viu envolto em polêmicas após empresas de telecomunicação alegarem que a localização da usina poderia afetar os cabos submarinos que conectam a internet de todo o Brasil e parte da América Latina. Diante da pressão das empresas, o governo cedeu e mudou de local, que dista mais de 1 mil metros do local originalmente pretendido.
Polêmica com cabos submarinos
A localização da usina na Praia do Futuro era motivo de oposição das empresas de telecomunicações, que diziam que as estruturas da usina poderiam afetar os cabos e interromper o funcionamento da internet no Brasil, causando um "apagão" de conexão no país. A Praia do Futuro é um dos locais no Brasil mais próximos da Europa e, por isso, é o lugar que primeiro recebe cabos de fibra ótica do continente. A partir da Praia do Futuro, esses cabos vão para Rio de Janeiro, São Paulo e países da América Latina. Esses cabos são responsáveis por 99% do tráfego de dados do Brasil.
O possível risco da instalação da usina, segundo a associação de operadoras TelComp, era que a estrutura da usina, que capta água no fundo do mar, pudesse romper os cabos submarinos. Se os cabos forem rompidos, o fornecimento de internet poderia ser afetado em todo o continente, deixando usuários off-line ou com internet lenta. Ao longo de todo o imbróglio, a Cagece defendeu que o projeto não apresentava nenhum risco ao funcionamento dos cabos submarinos. Em junho de 2024, o Governo do Estado cedeu e mudou a localização do projeto, que continuou na Praia do Futuro, porém em uma posição mais afastada do ponto onde os cabos de internet convergem.
Desapropriações e compensações
"Mudamos de local a captação, mudamos de local o emissário do rejeito, mudamos de local a área onde a planta de tratamento seria construída, isso fez com que nos obrigasse a fazer novos estudos de qualidade de água, corrente marinha, do entorno do novo local onde a planta seria instalada e depois submeter o pedido de uma nova licença", explicou Neuri Freitas. Conforme Neuri, quando estiver em operação, a Dessal será a maior usina de dessalinização em funcionamento no Brasil, superando plantas como a de Fernando de Noronha. "Essa vai ser a primeira planta de dessalinização de grande porte para abastecimento da população aqui no Brasil", afirma.
Para construção da usina no novo local, foi necessário desapropriar, no primeiro momento, 29 famílias - que receberam indenização. A obra vai ser construída na área onde havia uma Areninha, por isso o consórcio terá que construir outra Areninha na região como compensação.
Licenciamento ambiental
Em 8 de novembro de 2022, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) aprovou a licença ambiental para construção da usina, que foi emitida no dia 28 do mesmo mês. No dia 20 de dezembro de 2023, a empresa afirmou que a construção da usina em Fortaleza foi aprovada pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU-CE). No fim de janeiro de 2024, o consórcio SPE solicitou à Semace a licença de instalação, que permite o início das obras. A licença só foi outorgada em setembro de 2025. No dia 16 de julho de 2026, as empresas envolvidas finalmente assinaram o termo de autorização do início das obras. Agora, a previsão é que a usina esteja em operação no segundo semestre de 2028.



