A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% em junho, o menor nível desde 2014, segundo dados do IBGE. O recuo, de 0,2 ponto percentual em relação a maio, ocorre mesmo com a manutenção da Selic em patamar elevado, de 13,75% ao ano. Apesar do bom desempenho no mercado de trabalho, os juros cobrados dos consumidores seguem em trajetória de alta.
Juros ao consumidor atingem 64% ao ano
A taxa média de juros para pessoas físicas subiu para 64% ao ano em junho, de acordo com o Banco Central. O rotativo do cartão de crédito lidera as altas, com taxa média de 407,5% ao ano. O aumento ocorre mesmo com a queda do desemprego, que normalmente reduziria a inadimplência e pressionaria os juros para baixo. No entanto, a persistência da inflação e a incerteza fiscal mantêm os bancos cautelosos.
Mercado de ações reage ao exterior e dados econômicos
O Ibovespa retomou o patamar dos 175 mil pontos, impulsionado pelo alívio no exterior após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos Estados Unidos. As taxas do Tesouro IPCA+ subiram e bateram recorde, com o papel de 2035 pagando 8,27% ao ano. Entre as ações, Intelbras saltou 11% após resultados do 2º trimestre acima do esperado, e Motiva (MOTV3) também subiu forte.
Governo Lula repudia prorrogação de emergência dos EUA
O governo brasileiro manifestou repúdio à decisão dos Estados Unidos de prorrogar o estado de emergência nacional sobre o Brasil, alegando riscos à segurança nacional. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou a medida como “descabida”. A prorrogação, que vigora desde 2020, permite ao governo americano impor sanções a entidades brasileiras consideradas envolvidas em atividades ilegais.
Escassez de chips: Samsung prevê extensão até 2028
No setor de tecnologia, a Samsung anunciou que a escassez global de chips deve se estender até 2028. A empresa sul-coreana firmou novos acordos de fornecimento para mitigar os efeitos. A notícia impacta especialmente os setores automotivo e de eletrônicos, que dependem de semicondutores.
Perspectivas para a Selic e o crédito
Com o desemprego baixo e a inflação ainda acima da meta, o Banco Central mantém a Selic em 13,75% há seis reuniões consecutivas. A taxa de juros real (descontada a inflação esperada) é uma das mais altas do mundo, o que segura o crescimento econômico. Para o consumidor, a expectativa é de que os juros bancários continuem altos pelo menos até o início de 2025, quando o BC pode iniciar um ciclo de cortes.



