A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manteve investidores no escuro sobre a aprovação de uma operação multibilionária: a oferta pública de aquisição (OPA) da Brava Energia pela colombiana Ecopetrol. A decisão, tomada por dois votos a um em reunião do colegiado, contrariou o parecer técnico da própria autarquia, mas até agora não foi divulgada oficialmente.
Decisão sigilosa e reação do mercado
Fontes ouvidas pela coluna Capital do jornal Valor Econômico confirmaram que a aprovação ocorreu na última quarta-feira (14), mas o resultado permanece em sigilo. A CVM prometeu divulgar as informações no Informativo do Colegiado, mas não há previsão de quando isso ocorrerá. Enquanto isso, as ações da Brava Energia dispararam 6,5% na bolsa, movimento que sugere possível vazamento da informação privilegiada.
Segundo apuração, o voto favorável do presidente da CVM, João Pedro Nascimento, foi decisivo para reverter a posição contrária da área técnica. O caso é visto como emblemático por envolver uma operação de grande porte e por expor divergências internas na autarquia.
Impacto para investidores
A falta de transparência levanta preocupações sobre a equidade de acesso à informação no mercado de capitais brasileiro. Enquanto alguns agentes parecem ter agido com base na decisão ainda não pública, a maioria dos investidores foi surpreendida pela alta das ações sem explicação oficial. A Brava Energia não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.
Procurada, a CVM informou que "não comenta decisões não divulgadas" e que o Informativo do Colegiado será publicado em breve. Especialistas alertam que o episódio pode gerar questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de controle de vazamento de informações na autarquia.



