Criadora de conteúdo adulto tem aluguel negado na Inglaterra
Criadora de conteúdo adulto tem aluguel negado na Inglaterra

A influenciadora e criadora de conteúdo adulto Cris Galera, brasileira residente na Inglaterra, teve seu pedido de aluguel recusado por uma imobiliária em Colchester, Essex, após a empresa descobrir sua profissão. Apesar de apresentar todos os comprovantes de renda e pagar um caução de 2.500 libras (cerca de R$ 15.000), a candidatura foi negada com a justificativa de que o trabalho dela não era aceito pela imobiliária.

Profissão legalizada, mas discriminada

Em entrevista ao g1, Cris Galera afirmou que a recusa foi motivada exclusivamente pelo preconceito com sua ocupação. "Meu trabalho é legalizado no Reino Unido, pago impostos e tenho renda comprovada. Mesmo assim, fui tratada como se não fosse digna de morar no imóvel", desabafou. Ela destacou que a imobiliária, após saber que ela produz conteúdo adulto, informou que não alugaria o imóvel para ela, mesmo com toda a documentação em ordem.

A criadora de conteúdo, que mora na Inglaterra há dois anos, conta que já havia passado por situações semelhantes, mas nunca de forma tão explícita. "Dessa vez, eles foram diretos: disseram que não aceitavam locatários com meu tipo de profissão. É frustrante porque eu cumpri todos os requisitos", completou.

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Impacto financeiro e emocional

Além do constrangimento, Cris Galera teve prejuízo financeiro com a negativa. O caução de 2.500 libras foi devolvido, mas ela perdeu tempo e gastou com taxas de avaliação de crédito e deslocamento. "Não é só o dinheiro, é a sensação de ser julgada por algo que é legal e que me sustenta", afirmou.

A brasileira agora busca outro imóvel na região e espera ser avaliada apenas pelos critérios comuns de renda e histórico de aluguel. "Quero que me vejam como uma inquilina comum, que paga as contas em dia e cuida do imóvel", disse.

Discriminação no mercado imobiliário

Casos como o de Cris Galera não são isolados. No Reino Unido, a discriminação no aluguel com base na profissão é ilegal, mas muitas imobiliárias ainda impõem restrições informais, especialmente contra trabalhadores da indústria do sexo ou criadores de conteúdo adulto. A lei britânica proíbe discriminação por raça, gênero, orientação sexual e religião, mas a ocupação profissional não é uma categoria protegida de forma explícita, o que abre brechas para práticas discriminatórias.

Organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais no Reino Unido criticam esse tipo de recusa e defendem que a renda legalmente obtida deve ser suficiente para garantir o acesso à moradia. "A lei precisa evoluir para proteger essas pessoas contra preconceito", afirmou um representante da associação English Collective of Prostitutes, em nota.

Próximos passos

Cris Galera pretende continuar procurando imóveis e, se necessário, buscar aconselhamento jurídico. "Não vou desistir. Sei que meus direitos foram violados e quero que isso sirva de alerta para outras pessoas na mesma situação", finalizou.

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