A Prefeitura de Belo Horizonte deu início à remoção dos trechos de ciclovia que haviam sido construídos na Avenida Afonso Pena, localizada na Região Centro-Sul da capital mineira. A decisão foi anunciada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em um vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (13).
“Chegou um dos dias mais esperados por boa parte da população em Belo Horizonte. Dia em que nós vamos desmobilizar a ciclovia, a polêmica ciclovia da Afonso Pena”, afirmou o prefeito na gravação.
Contexto da obra
A construção de 4,2 km de ciclovia estava prevista em um projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena, com custo total de R$ 26,3 milhões. As obras começaram no fim de 2023, mas foram paralisadas em abril de 2024, após questionamentos na Justiça.
A estrutura era uma demanda de ciclistas da cidade, que chegaram a solicitar judicialmente a conclusão das obras e agora tentam barrar o desmanche.
Declarações do prefeito
No vídeo postado nas redes, o prefeito se comprometeu a “aumentar o número de ciclovias em Belo Horizonte”, mas ressaltou que isso não será feito em avenidas como Afonso Pena, Amazonas, Antônio Carlos e Cristiano Machado. “O trânsito já está muito sufocado e não dá espaço para isso nessas vias. A gente estava esperando a Justiça autorizar, a Justiça autorizou, a prefeitura veio e desmobilizou”, declarou.
Reação dos ciclistas
Neste domingo (14), ciclistas recorreram à Justiça pedindo a suspensão da demolição da ciclovia, mas a solicitação ainda não foi analisada. Segundo Cristiano Scarpelli, do movimento Ciclo Rota BH, cerca de R$ 314 mil foram investidos nas obras, além de outros R$ 300 mil gastos na etapa de planejamento e projeto.
“E agora tem o gasto com o desmanche, que a gente ainda vai apurar, de prejuízo ao erário. [...] Está claro que o prefeito não prioriza e não valoriza a construção de ciclovias como medida para proteger vidas e melhorar o trânsito, mas, nesse caso, como essa ciclovia está prevista em lei, não existe discricionariedade para o prefeito escolher se vai ou não fazer”, afirmou, lembrando que o Plano Diretor prevê uma rede cicloviária na Afonso Pena.
Posicionamento da prefeitura
O g1 solicitou um posicionamento da Prefeitura de Belo Horizonte e acesso à decisão judicial que autorizou a desmobilização, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Entenda o caso
A construção da ciclovia estava prevista em um projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena, iniciado em 2023, que incluía também faixas para transporte coletivo, recapeamento de asfalto, sinalizações, mobiliário urbano e paisagismo. O plano era construir 4,2 km de ciclovia junto ao canteiro central da via, da Praça Rio Branco à Praça da Bandeira.
Em abril de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça a paralisação das intervenções, alegando falta de licenciamento e que a implantação da estrutura se mostrava “incompatível com o local”. Em decisão liminar no mesmo mês, a Justiça negou o pedido do MPMG. Apesar disso, a prefeitura decidiu suspender as obras. O Ministério Público recorreu.
Em junho de 2025, a Justiça voltou a autorizar a implantação da ciclovia, porém as obras não foram retomadas. Nesta semana, o MG1 mostrou que a prefeitura pagou R$ 23,3 milhões pelas obras de revitalização da Avenida Afonso Pena, mas pouco mudou de fato na via. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), as intervenções foram finalizadas em 2025 e incluíram pavimentação, implantação de faixas para o transporte coletivo, recapeamento de asfalto e sinalizações.



