Nutricionista que lutou contra estupro chega a Fortaleza e reencontra família
Nutricionista que lutou contra estupro chega a Fortaleza

A nutricionista cearense Jéssica Soares, que enfrentou uma tentativa de estupro dentro de seu apartamento em São Paulo e lutou contra o agressor, chegou a Fortaleza. Na manhã deste sábado (6), ela reencontrou a família em um café da manhã especial. O momento emocionante marca o retorno da cearense após o caso e também o aniversário de sua mãe. "Acho que esse vai ser o presente que ela mais queria: ter a filha viva", comentou Jéssica ao g1.

O crime

No dia 23 de maio, a nutricionista sofreu uma tentativa de estupro dentro de seu apartamento em um prédio na área nobre de São Paulo, que possuía câmeras e reconhecimento facial. Um homem, identificado como Wellington de Oliveira Santos, invadiu o local e foi até o apartamento da vítima, cuja porta estava destrancada. Após tentar o estupro, ele foi preso em flagrante. Jéssica reagiu à tentativa de abuso e lutou por cerca de 13 minutos com o criminoso. A nutricionista usou técnicas de artes marciais aprendidas em aulas de diferentes modalidades, como muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal, para se livrar do agressor. Wellington de Oliveira está preso.

Retorno à terra natal

A nutricionista disse que deve continuar morando em São Paulo, mas pretende aproveitar o momento de descanso em Fortaleza para se recuperar e estar ao lado da família. "É aqui que eu tenho força, que recarrego as energias, é no meu canto, com os meus, com a minha família, com os meus amigos. Faz toda a diferença", disse Jéssica em entrevista à equipe da TV Verdes Mares, que acompanhou o reencontro.

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Família e apoio

Dena Soares, mãe de Jéssica, disse estar feliz por reencontrar a filha após o momento traumático: "Eu ficava imaginando como vai ser quando eu vir minha filha. Já doía muito e doeu mais ao saber que ela estava machucada por um monstro daqueles. Mas estou feliz que ela está com a gente. Tenho muito orgulho. Minha filha é maravilhosa, muito guerreira".

Antecedentes do agressor

O caso também chamou atenção porque o suspeito Wellington de Oliveira Santos, de 36 anos, já havia sido condenado por estupro e outros crimes violentos. Jéssica afirmou ter sido procurada por pelo menos três mulheres que relataram situações semelhantes envolvendo o suspeito. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou oficialmente se Wellington está sendo investigado por outros casos ou se esses relatos resultaram em novos inquéritos.

Decisão de se expor

"Estou com medo, mas decidi me expor para aparecerem outras vítimas, para as mulheres entenderem que elas precisam se cuidar, que infelizmente não foi porque eu estava na rua num horário escuro, não foi porque eu estava com a roupa curta, não foi porque a mulher 'pediu' por isso. Eu estava na minha casa, dormindo, num lugar que eu achava que era seguro", afirmou a nutricionista à TV Verdes Mares.

Mudança para São Paulo

Jéssica mora em São Paulo há cerca de um ano e mudou para o estado após a morte de seu pai e para expandir a carreira. Antes de atuar como nutricionista, Jéssica também fez faculdade de Administração e trabalhava na área comercial. Em 2020, ela se formou em nutrição e segue trabalhando na área em São Paulo. De acordo com a profissional, o seu trabalho sempre foi voltado às mulheres, especialmente no fortalecimento da autoestima e empoderamento. "Aqui (em SP) minha vida é de reuniões, atendimentos. As minhas postagens, antes de acontecer essa loucura toda, eram voltadas para o público feminino, para as mulheres aprenderem a se posicionar, para serem mais empreendedoras. Eu não sabia que, além disso, as mulheres tinham que aprender a se defender fisicamente".

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Treinamento em artes marciais

Além do cuidado com a saúde, a nutricionista disse ter aprendido artes marciais para se defender. Ela fez aulas de diferentes modalidades, como muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal, em Fortaleza. Uma das técnicas que aplicou contra o agressor no momento do crime já havia sido treinada por ela, inclusive. Ela precisou fazer elevação pélvica para jogar o criminoso para fora da cama e tentar pegar o celular. "Nós sabemos que estamos vulneráveis nesse mundo louco de homens doentes (...) Então, eu me encantei por isso (artes marciais), pra me defender mesmo. Quando eu entrei, vi que além de me defender, era uma atividade física que ia muito de encontro com a minha vida na nutrição. Meu trabalho é fazer isso, eu tenho que estar bem", comenta.

Recuperação e investigação

Após o crime, Jéssica mudou-se para outra cidade e tem recebido o apoio da família, do namorado e de amigos. Ela ainda enfrenta dificuldades para dormir, pois foi neste momento de vulnerabilidade em que tudo ocorreu. "Estou tomando medicação, o meu sono está muito afetado. Acho que o meu corpo entende que a hora de dormir é a hora que alguém vai chegar e fazer alguma coisa comigo. Mas estou me medicando e na terapia. A polícia pediu quebra de sigilo do celular dele para ver se ele falava com alguém, se foi mandado por alguém. Estamos esperando chegar tudo isso para dar continuidade às investigações. Mas estou em um lugar seguro", complementou Jéssica.

Detalhes da invasão

As imagens de câmera de segurança mostram Wellington entrando no condomínio ao aproveitar a saída de um morador às 8h22. Segundo a vítima, o acesso ao local era controlado por reconhecimento facial. Na sequência, o homem passa pela catraca da recepção sem ser percebido pelos funcionários e segue para os elevadores. Pouco depois, ele aparece chegando ao 18º andar, onde morava a nutricionista. Naquela manhã, Jessica estava sozinha no apartamento. Segundo ela, o namorado havia saído por volta das 7h para participar de um evento escolar da filha. Como não tinha as chaves do imóvel e pretendia retornar depois, ele deixou a porta apenas encostada para não acordá-la. A nutricionista continuou dormindo no quarto, localizado no piso inferior. "Ele não tinha chave, saiu para um evento, e ia voltar. A gente pensa que está em segurança, a gente paga caro pela segurança, e realmente foi uma fatalidade o (ato de) deixar aberto. Eu deixava mesmo, muita gente deixa aberto no condomínio. Hoje em dia nunca mais, né?! Para subir no meu apartamento era uma burocracia, mas falhou muito a segurança", relata Jéssica.