Durante 19 anos, Maria Edneuza Guazina conviveu com o câncer sem deixar que a doença definisse quem ela era. Diagnosticada com câncer de mama aos 43 anos, em 2007, ela passou por tratamentos, enfrentou uma metástase em 2021 e, nos últimos meses de vida, viu a doença atingir outros órgãos e os ossos. Em homenagem à mãe, o filho, José Roberto de Melo Queiroz Filho, de 32 anos, correu 19 quilômetros — um para cada ano de luta dela contra o câncer.
Uma trajetória de fé e resiliência
Segundo o filho, Maria manteve a fé e a alegria até os últimos dias. Maria morreu há duas semanas, aos 62 anos. Para a família, fica a lembrança de uma mulher que transformou quase duas décadas de tratamento em uma trajetória marcada pela esperança. "Ninguém espera sair de uma consulta médica com um diagnóstico de câncer. Foi um grande choque para ela", relembra José Roberto.
Nos primeiros dias após a descoberta da doença, Maria ficou abatida, mas encontrou forças na fé para seguir em frente. Conhecida por manter uma rotina ativa, ela procurou não interromper completamente a vida durante o tratamento. "Depois da primeira cirurgia e da quimioterapia, ela nunca se deixou abater. Chegou a ir de bicicleta para algumas sessões, não perdeu a alegria e nunca reclamou", conta o filho.
Legado de esperança
A postura de Maria diante da doença marcou não apenas a família, mas também as pessoas que conviveram com ela ao longo dos anos. Segundo José Roberto, mesmo quando recebia notícias difíceis sobre a evolução do câncer, ela mantinha a serenidade. Para o filho, a principal herança deixada pela mãe não está relacionada à luta contra o câncer, mas à forma como escolheu viver apesar dele.
"Minha mãe se foi, mas viveu intensamente cada momento, feliz, alegre, contagiando a todos com sua energia e agradecendo a Deus por tudo. Essa é a imagem que fica para mim", diz. A fé, segundo ele, foi o alicerce que sustentou Maria durante os 19 anos de tratamento.
Homenagem em corrida
Após a morte da mãe, José Roberto decidiu percorrer 19 quilômetros em homenagem aos 19 anos em que ela conviveu com o câncer. Durante o trajeto, relembrou momentos da infância, os conselhos recebidos e a relação de cumplicidade que os dois construíram ao longo da vida. Ao lembrar da trajetória de Maria, ele acredita que a força demonstrada por ela pode servir de inspiração para outras pessoas que enfrentam a doença.
"O maior legado que minha mãe deixou foi a fé. As pessoas passam muito tempo reclamando e questionando as coisas. Ore pela sua cura e acredite. Minha mãe foi muito mais do que uma mãe. Era minha confidente, minha amiga e meu exemplo", conclui o filho.



