Wagner Moura leva brasilidade ao cinema mundial e viraliza com sotaque
Wagner Moura leva brasilidade ao cinema mundial

Wagner Moura, ator baiano de 49 anos, tornou-se um dos principais nomes do cinema mundial ao levar a brasilidade para as telas. Sem redes sociais, ele viraliza com seu gingado e sotaque característicos, mostrando que versatilidade pode, sim, conversar com identidade. Em 2026, concorre ao Oscar de melhor ator por O Agente Secreto, que também disputa a estatueta de melhor filme. Poucos meses antes, o filme de Kleber Mendonça Filho já o havia feito entrar para a história como o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio de melhor ator em Cannes e no Globo de Ouro.

O início da carreira

Wagner Maniçoba de Moura nasceu em Salvador, em 1976, mas passou parte da infância em Rodelas, no sertão baiano, cidade que foi inundada nos anos 1980 pela construção de uma barragem no Rio São Francisco. A mudança forçada marcou sua memória, e ele apareceu ainda criança em uma reportagem sobre o deslocamento das famílias. Na adolescência, voltou a Salvador para estudar jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Antes de ser ator, trabalhou como repórter de celebridades no programa Michelle Marie Entrevista, da TV Bahia. Na universidade, foi vocalista da banda Sua Mãe, conhecida na cena alternativa local no fim dos anos 1990.

O teatro e as primeiras telas

O teatro surgiu nos anos 2000, quando integrou o elenco da peça A Máquina, de João Falcão. Quase ao mesmo tempo, vieram as primeiras oportunidades no audiovisual. A estreia no cinema foi na coprodução internacional Sabor da Paixão, estrelada por Penélope Cruz, experiência que não deixou boas lembranças: ele se sentiu mal tratado durante a produção. O primeiro papel protagonista veio em Deus é Brasileiro, de Cacá Diegues, interpretando o guia Taoca, após a recusa de Selton Mello. Na televisão, o reconhecimento do grande público veio com novelas da Globo, como Paraíso Tropical (2007), em que interpretou o vilão Olavo.

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Do cinema brasileiro ao reconhecimento internacional

O salto definitivo veio com Carandiru (2003), de Hector Babenco, onde interpretou Zico, e, principalmente, com Tropa de Elite (2007), de José Padilha, no papel do capitão Nascimento. O filme venceu o Urso de Ouro em Berlim e tornou-se fenômeno cultural. Tropa de Elite 2 consolidou sua posição. A projeção internacional veio com a série Narcos, da Netflix (2015), em que interpretou Pablo Escobar, aprendendo espanhol e trabalhando o sotaque colombiano.

A força do Nordeste em O Agente Secreto

A parceria com Kleber Mendonça Filho em O Agente Secreto reflete a afirmação do cinema nordestino. Ambientado na Recife dos anos 1970, o filme reúne profissionais da região. Wagner destaca que a produção tem “muita gente do Nordeste trabalhando”, mas enfrenta preconceito, sendo classificada como “regional”. Ele rebate: “Insistem em dizer que o cinema feito por essa galera é regional. Não é regional, é Brasil.”

A brasilidade como marca

Mesmo com carreira consolidada no exterior, Wagner reforça sua identidade nordestina. Em entrevista ao canal Os Nordestinos pelo Mundo, afirmou: “Quando estou nos Estados Unidos, meu sotaque é esse. Eu falo assim, e represento uma galera gigante nesse país que também fala com sotaque.” Casado há 21 anos com a jornalista Sandra Delgado, com quem tem dois filhos, ele prova que a brasilidade é sua maior força.

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