O futebol japonês sempre teve uma forte ligação com o Brasil, e essa relação é explorada em mangás e animês que se tornaram fenômenos culturais. Obras como 'Super Campeões' (Captain Tsubasa) e 'Blue Lock' retratam diferentes momentos da história do futebol no Japão, desde o sonho de disputar uma Copa do Mundo até a ambição de vencê-la.
O sonho de 'Super Campeões'
Lançado em 1981 por Yoichi Takahashi, 'Super Campeões' foi um divisor de águas no futebol japonês. A série acompanha o jovem Tsubasa Ozora, cujo sonho é levar o Japão ao título mundial. Na época, o futebol ainda era um esporte secundário no país, e a obra inspirou uma geração de jogadores, como Hidetoshi Nakata e Keisuke Honda, que citam o mangá como influência.
Segundo Takahashi, a ideia era mostrar que o Japão poderia competir em alto nível. 'Eu queria que os jovens japoneses acreditassem que poderiam jogar futebol profissionalmente e até vencer a Copa do Mundo', disse o autor em entrevista. A série também destaca a relação com o Brasil: o personagem Roberto Hongo, técnico de Tsubasa, é um ex-jogador brasileiro que o treina e o inspira.
A ambição de 'Blue Lock'
Já 'Blue Lock', de Muneyuki Kaneshiro e ilustrado por Yusuke Nomura, representa uma nova fase. Lançado em 2018, o mangá propõe um treinamento radical para criar o melhor atacante do mundo, capaz de levar o Japão à glória na Copa. A obra reflete a frustração do país com campanhas anteriores e a busca por uma mentalidade mais agressiva.
O sucesso de 'Blue Lock' foi tão grande que inspirou iniciativas reais, como camps de seleção para descobrir talentos de ascendência japonesa no Brasil e em outros países. Em 2023, a Federação Japonesa de Futebol realizou uma peneira em São Paulo, onde mais de 200 jovens de origem japonesa participaram, segundo a organização.
Impacto cultural e esportivo
Essas obras não apenas refletem, mas também moldam a percepção do futebol no Japão. 'Super Campeões' popularizou o esporte nos anos 80 e 90, enquanto 'Blue Lock' alimenta a ambição de vencer em nível mundial. A relação com o Brasil é central: muitos personagens brasileiros aparecem como mestres ou rivais, simbolizando a admiração e a rivalidade entre os dois países.
Dados da Associação Japonesa de Mangá mostram que as vendas de 'Blue Lock' ultrapassaram 30 milhões de cópias em 2025. O anime correspondente está entre os mais assistidos no Japão, com picos de audiência durante a Copa do Mundo de 2026, quando o Japão enfrentou o Brasil nas oitavas de final.
Legado e futuro
O legado desses mangás e animês vai além do entretenimento. Eles ajudaram a criar uma cultura de futebol no Japão, incentivando crianças a praticar o esporte e sonhar com a Copa. A influência brasileira é evidente em clubes como o Kashima Antlers, que tem parceria com o Santos, e na presença de jogadores brasileiros naturalizados na seleção japonesa.
'O Brasil sempre foi uma referência para o futebol japonês', afirma o jornalista esportivo Taro Tanaka, especialista em cultura pop. 'Os mangás e animês não apenas contam essa história, mas a constroem ativamente.' Com a crescente popularidade do futebol no Japão, novas obras continuam a explorar essa conexão, mantendo vivo o diálogo entre os dois países.



