As vendas de veículos eletrificados no Amazonas saltaram de 459 unidades em 2022 para 2.863 em 2025, um crescimento acumulado de aproximadamente 524%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). No Brasil, o primeiro semestre de 2026 registrou 215.023 emplacamentos de veículos leves eletrificados, alta de 125% em relação ao mesmo período de 2025. Em junho, esses veículos representaram 18,3% de todos os veículos leves vendidos no país.
O avanço da eletromobilidade em Manaus
Os veículos elétricos, antes vistos como realidade distante na Amazônia, hoje circulam com frequência pelas ruas de Manaus, integrando frotas empresariais e a rotina de motoristas de aplicativo que buscam reduzir gastos com combustível. O crescimento é impulsionado pela ampliação da oferta de modelos, entrada de novas marcas, expansão da infraestrutura de recarga e a busca por menor custo de utilização.
No entanto, a eletromobilidade levanta uma questão estratégica para o Polo Industrial de Manaus (PIM): o Amazonas será apenas mercado consumidor ou poderá participar da cadeia produtiva? A cadeia dos veículos elétricos vai muito além da montagem, envolvendo baterias, carregadores, eletrônica embarcada, inversores, módulos de potência, sensores, chicotes elétricos, conectores, softwares, sistemas de monitoramento, infraestrutura de recarga e armazenamento de energia.
Vantagens competitivas do PIM
Manaus reúne vantagens competitivas graças às décadas de consolidação do PIM em eletroeletrônicos, bens de informática, componentes eletrônicos, cabos, conectores, termoplásticos, baterias, motocicletas e equipamentos de tecnologia. Embora não possua indústria tradicional de automóveis, esse conhecimento pode dialogar com as demandas da eletromobilidade. Em vez de montar veículos completos, um caminho factível é a produção de componentes e sistemas para as cadeias nacional e internacional.
Primeiros sinais de inserção
Empresas já demonstram esse movimento. A NeoPower expande a infraestrutura de recarga em Manaus com eletropostos rápidos para consumidores, empresas e frotas, gerando demanda por instalação elétrica especializada, manutenção e engenharia. No PIM, a Livoltek inaugurou fábrica com investimento de R$ 70 milhões, produzindo inversores fotovoltaicos e planejando carregadores para veículos elétricos, baterias de lítio e motores elétricos para embarcações. A BYD Indústria de Baterias, instalada em Manaus, produz módulos acumuladores para ônibus elétricos da companhia, demonstrando participação na cadeia da eletromobilidade.
Potencial além das montadoras
O potencial do PIM não se restringe a essas empresas. Fabricantes de placas eletrônicas, cabos, conectores, componentes plásticos, fontes de alimentação, sistemas de comunicação, chicotes elétricos e soluções de automação possuem competências compatíveis com a cadeia dos veículos elétricos. A presença de institutos de pesquisa como o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) permite atuar em software embarcado, inteligência artificial, telecomunicações e eletrônica de potência, abrindo oportunidades em segmentos de maior valor agregado.
Essa inserção depende de certificações, escala industrial, competitividade, nacionalização de componentes e decisões estratégicas das fabricantes. Ainda assim, a base produtiva e tecnológica existente coloca Manaus em posição diferenciada.
Oportunidades na realidade amazônica
A eletromobilidade cria oportunidades em segmentos como motocicletas, bicicletas elétricas, motores elétricos e sistemas híbridos para embarcações nos rios da região. A expansão da frota eletrificada impulsionará serviços de instalação de carregadores, manutenção de sistemas de alta tensão, gestão de energia e reciclagem de baterias, exigindo profissionais especializados.
Desafio e futuro do PIM
O maior desafio é transformar a experiência acumulada em eletrônica, energia, conectividade e manufatura avançada em novos negócios ligados à mobilidade elétrica. Apesar de não haver anúncios de montadoras de automóveis elétricos para o PIM, os avanços indicam que Manaus reúne ativos industriais, tecnológicos e de inovação para ampliar sua participação nesse mercado. A contribuição do Polo Industrial pode ser fornecer componentes, tecnologias e soluções que sustentem a expansão da eletromobilidade no Brasil, em uma cadeia de alto valor agregado.



