O Aterro do Flamengo, um dos mais emblemáticos parques do Rio de Janeiro, voltou a ser palco de polêmicas. Desta vez, a instalação de um posto de recarga para automóveis elétricos, que inclui um showroom, gerou protestos após a derrubada de árvores na região. O canteiro de obras, registrado em imagens, mostra a supressão de vegetação que faz parte do paisagismo projetado por Roberto Burle Marx.
Um parque histórico ameaçado
Projetado pela arquiteta Maria Carlota Soares e com paisagismo de Burle Marx, o Aterro do Flamengo é um marco urbano e cultural da cidade. Com cerca de 1 milhão de metros quadrados e aproximadamente 10 mil árvores, o parque é um dos principais pulmões verdes da zona sul carioca. Seu nome oficial homenageia o brigadeiro Eduardo Gomes, mas para muitos cariocas ele é simplesmente o Aterro.
A história do Aterro está ligada ao desenvolvimento urbano do Rio, tendo sido construído sobre áreas aterradas na década de 1960. Desde então, tornou-se um espaço de lazer, esporte e convivência, abrigando equipamentos como o Museu de Arte Moderna, o Monumento aos Pracinhas e o Parque dos Patins.
O protesto e as denúncias
Na semana passada, denúncias de que árvores estavam sendo derrubadas para dar lugar a um posto de recarga de carros elétricos mobilizaram moradores e ativistas. O projeto, que inclui um showroom, foi visto como uma agressão ao patrimônio ambiental e paisagístico do parque. Os manifestantes argumentam que a instalação comercial fere o caráter público e verde do Aterro.
A prefeitura do Rio ainda não se pronunciou oficialmente sobre as obras, mas a polêmica reacendeu o debate sobre a preservação de áreas verdes na cidade. Especialistas lembram que o Aterro é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e qualquer intervenção precisa de autorização.
O futuro do Aterro
O episódio levanta questões sobre o equilíbrio entre inovação e preservação. A mobilidade elétrica é uma tendência global, mas sua implementação não pode ignorar o valor histórico e ecológico de espaços como o Aterro do Flamengo. A população espera que o diálogo entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil encontre soluções que respeitem o legado de Burle Marx e Maria Carlota Soares.



