Lhamas apreendidas no Acre continuam em abrigo provisório
Após 20 dias, as 43 lhamas apreendidas em um posto de fiscalização na BR-364, em Rio Branco, seguem sob os cuidados da ONG Patinha Carente enquanto aguardam uma decisão da Justiça Federal sobre o destino do rebanho. Os animais estão abrigados em uma propriedade na zona rural de Porto Acre desde que foram interceptados durante o transporte.
De acordo com a presidente da ONG, Vanessa Facundes, as lhamas estão em boas condições e recebem alimentação e cuidados diários. Ela informou que os animais já passaram por vermifugação, mas uma definição judicial é necessária para que outras medidas sanitárias sejam tomadas. "Precisamos que o juiz decida logo porque tem que vaciná-las", acrescentou.
As lhamas estão alojadas em uma área coberta construída na propriedade onde foram acolhidas. A alimentação dos animais é feita com soja, xerém e capim triturado.
Decisão judicial e avaliação sanitária
Uma decisão da Justiça Federal, no fim de maio, determinou que uma avaliação clínica e sanitária do rebanho fosse feita por equipes do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O relatório deverá apontar o estado de saúde dos animais, a quantidade atual de exemplares vivos, a existência de animais que necessitem de cuidados especiais e eventuais medidas sanitárias necessárias. O documento servirá de base para futuras decisões sobre a manutenção, devolução ou outra destinação do rebanho.
A Justiça também determinou que não haja abate dos animais, exceto em situações devidamente autorizadas.
Pedido de restituição do proprietário
Outro ponto que aguarda análise é o pedido de restituição apresentado pelo empresário Wellington Vieira de Araújo, proprietário das lhamas. A solicitação busca a devolução dos animais e ainda não teve decisão definitiva.
Caminhão entregue a investigado
Na segunda-feira (8), após uma decisão da Justiça Federal, o caminhão utilizado para transportar os animais foi entregue a um dos homens presos na apreensão na condição de fiel depositário. A Polícia Federal informou não possuir estrutura adequada para armazenar um veículo daquele porte e alertou para o risco de deterioração causado pela exposição ao tempo.
Ao autorizar a medida, o juiz destacou que a nomeação como fiel depositário não representa a devolução definitiva do caminhão nem o encerramento da apreensão. O veículo continua vinculado ao processo criminal e deverá ser apresentado sempre que houver determinação judicial ou solicitação da autoridade policial. A decisão também estabelece que o descumprimento das obrigações de guarda e conservação poderá resultar na revogação da medida, além da apreensão imediata do veículo e eventual responsabilização do depositário.
Proprietário diz que animais estão legalizados
À Rede Amazônica Acre, no dia 25 de maio, o empresário Wellington Araújo afirmou que parte dos animais apreendidos são filhotes das lhamas que ficaram presas em Assis Brasil no ano passado, ou seja, nasceram no rancho. Já a outra parte estava na carga que entrou legalizada em setembro. Segundo ele, a carga apreendida no posto de fiscalização acreano saiu de Rondônia para Brasiléia, no interior do Acre, porque um cliente demonstrou interesse em comprar os animais, visto que Wellington tentava uma vaga na 13ª Rondônia Rural Show Internacional para exibi-los.
"O pessoal falou que não iria conseguir um lugar pra mim [na feira agropecuária]. Mandei os animais para o Acre, porque tinha procura, tinham clientes esperando para ver. Abriram espaço para mim na Rondônia Rural Show e pedi para retornar com elas para a feira", destacou.



