Um filhote de jaguatirica foi resgatado na tarde de terça-feira (30) após ser encontrado sozinho em uma estrada rural de Peixoto de Azevedo, município localizado a 673 km de Cuiabá, em Mato Grosso. Um morador da região recolheu o animal e o levou até o quartel do Corpo de Bombeiros Militar em Matupá para garantir sua segurança.
Resgate e transporte adequado
Segundo o morador, o filhote estava desacompanhado e foi recolhido para protegê-lo até a chegada ao 6º Pelotão Independente Bombeiro Militar. Os bombeiros utilizaram técnicas e equipamentos apropriados para transportar o animal, minimizando o estresse e preservando sua integridade física durante o deslocamento.
Em seguida, a jaguatirica foi encaminhada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que avaliará seu estado de saúde, prestará os cuidados necessários e definirá as medidas para reabilitação e destinação adequada.
Ameaças à espécie
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a principal ameaça à jaguatirica é a perda e fragmentação de habitat, que reduzem as áreas de floresta e podem isolar populações, comprometendo a diversidade genética e a sobrevivência da espécie. Embora também seja encontrada em áreas agrícolas, a jaguatirica depende de remanescentes de vegetação nativa.
Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), no Brasil a espécie ocorre na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Pampas. A jaguatirica é um animal de porte médio, solitário, de hábitos noturnos, que se alimenta de roedores, répteis, aves e peixes.
Impacto humano e atropelamentos
O Inea alerta que a presença de cães domésticos próximos a áreas de mata representa ameaça, tanto pela transmissão de doenças quanto pela competição por espaço e alimento. Em regiões com maior presença humana, a jaguatirica tem alterado seus hábitos, tornando-se mais ativa à noite para evitar riscos.
Além da destruição do habitat, atropelamentos em rodovias e mortes em conflitos com criadores de aves domésticas ameaçam a espécie. Em São Paulo, um estudo citado pelo ICMBio estima que cerca de 112 jaguatiricas sejam atropeladas por ano nas rodovias pavimentadas do estado.
Caça histórica e proteção
O ICMBio destaca que, no passado, a caça para o comércio ilegal de peles foi uma das principais causas da redução populacional. Entre as décadas de 1960 e 1980, centenas de milhares de peles de jaguatirica foram comercializadas internacionalmente, antes da adoção de medidas de proteção ambiental.
Orientações à população
A Sema reforça que, ao encontrar um animal silvestre que necessite de resgate, a população deve acionar a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros. A orientação é não tentar capturar o animal, para evitar riscos tanto à segurança das pessoas quanto à integridade do animal.



