Família mantém tradição junina no Acre com amor e dedicação
Família mantém tradição junina no Acre com amor

O amor pelo São João uniu o vigilante Dangelo Magalhães, de 28 anos, e a autônoma Carine Pereira, de 25, que há cinco anos integram a quadrilha junina Sassaricano na Roça, em Rio Branco, Acre. O casal transformou a paixão pela cultura popular em um projeto de família, conciliando trabalho, ensaios, concursos e a criação dos dois filhos: Davi Willian, de 9 anos, e Dávila Cecília, de 1 ano e 1 mês.

Início da tradição junina na família

Dangelo é o atual rei e coordenador da junina, enquanto Carine é brincante do grupo. A Sassaricano na Roça venceu as etapas municipal e estadual do circuito deste ano. Em casa, o universo junino é vivido intensamente. Dávila teve o primeiro contato com a quadrilha aos quatro meses de vida, em junho do ano passado. Davi, que sempre foi tímido, passou a participar mais ativamente das atividades juninas neste ano.

"Esse ano eu convenci ele a fazer um figurino e participar mais ativamente dentro da quadrilha. Hoje, ele se sente mais à vontade, brinca, se diverte, criou amizades e isso é muito gratificante para mim, pois foi dentro da quadrilha que eu pude mostrar um mundo diferente para ele", compartilha Dangelo.

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Transformação através da dança

Carine conta que a ideia de inserir as crianças no mundo junino veio do desejo de que elas vivam a alegria das festas de São João. "É lindo ver como a quadrilha transforma. Significa tudo para mim ver o meu filho vencendo a timidez e a minha bebê no meio disso tudo, desde pequenininha, não tem preço. É o nosso momento de união, de esquecer os problemas e de sermos felizes juntos na quadra", afirma com emoção.

Dangelo participa das atividades juninas há 14 anos e Carine há 9. Eles se conheceram dentro do movimento, através de amigos em confraternizações. "Éramos de quadrilhas diferentes e, por ironia do destino, nos encontramos e estamos juntos há cinco anos", diz o vigilante. Carine começou a dançar em 2013, mas passou alguns anos afastada, retornando em 2022. "Já participei de competições aqui na cidade e também já tive a oportunidade de participar em Brasília em 2023", afirma.

Rotina intensa e dedicação

Durante o período junino, a rotina da família muda completamente. Dangelo trabalha durante o dia e segue direto para os ensaios e reuniões da coordenação. "A nossa rotina é bem corrida. Trabalho durante o dia todo, a Carine fica em casa cuidando das crianças. Quando eu chego, por volta das 18h30, é só tomar um banho e já ir para o ensaio às 19h. Ensaiamos até às 21h30 e depois ainda tenho reuniões da coordenação da quadrilha. Costumamos chegar em casa por volta da meia-noite. E assim é a semana toda", detalha.

Carine reforça o desafio de conciliar a rotina: "Não é fácil, principalmente por ter que cuidar da casa, da rotina de escola do filho e da bebê de 1 ano. E ainda arrumar tempo para ensaiar exige um desdobramento enorme. A gente se vira nos trinta, mas quando a gente ama o São João, arruma forças de onde nem tem".

Casa que vira camarim

Nos dias de apresentação, a casa se transforma em um verdadeiro camarim, com figurinos ocupando a maior parte dos cômodos. Apesar da bagunça, Dangelo afirma que a família tenta manter a organização, principalmente por causa de Dávila, que adora mexer nos figurinos. "Mas quando é dia de apresentação, é meio impossível manter organizado", afirma.

Mesmo com a correria, Dangelo faz questão de que os filhos cresçam vivenciando o ambiente junino. "Incluir nossos filhos dentro dessa cultura maravilhosa é muito importante não só para eles, mas principalmente para nós pais também, que queremos mostrar o quanto essa cultura é especial para nós. Eu sempre levei comigo que minha família será incluída em tudo que eu fizer", defende.

Mudanças positivas e legado

O pai acredita que o movimento já trouxe mudanças positivas na vida do filho mais velho. "É incrível ver o quanto o Davi vê o mundo diferente do que ele via antes. A quadrilha mudou muito a vida dele e para melhor e isso não tem preço", comemora. A expectativa é que o amor pelo São João continue nas próximas gerações. "Vai chegar um dia em que vamos dizer 'Tá na hora de parar', e eles vão continuar, se quiserem é claro, a viver essa coisa maravilhosa que é o São João", comenta.

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A mãe espera que os filhos lembrem da infância com alegria e tenham orgulho da cultura junina. "Espero que o Davi leve essa confiança que ganhou e que a Dávila saiba que o São João está no sangue dela desde bebê. E tomara que eles continuem levando essa tradição para a frente", compartilha.

Além dos títulos conquistados ao longo da trajetória, incluindo o de melhor rei junino do Acre em 2025, Dangelo considera que a maior conquista veio fora dos tablados. "Hoje, a Junina Sassaricano na Roça é minha segunda família. É lá que eu demonstro todo meu amor pelo São João e, se não fosse por esse São João, eu não teria a família incrível que tenho hoje em minha vida", finaliza.