Estação do Inmet em Juiz de Fora mede clima há 125 anos
Estação do Inmet em Juiz de Fora mede clima há 125 anos

A estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Juiz de Fora, localizada a 936 metros de altitude no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), completa 53 anos de operação no local e integra uma série histórica de mais de 125 anos de dados climáticos da cidade. Diariamente, as medições são realizadas pela coordenadora do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA), Cássia Ferreira, que há quase 40 anos se dedica à rotina da estação, e pelo servidor Yan Carlos Gomes Viana.

Padrão internacional e funcionamento

A estação segue normas nacionais e internacionais, abastecendo a rede de dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU referência global em meteorologia. Opera de duas formas: automaticamente, com envio de dados a cada hora ao 5º Distrito de Meteorologia em Belo Horizonte, e por medições convencionais manuais. "Estamos aqui todos os dias, às 9h, às 15h e às 21h. A estação funciona aos sábados, domingos, feriados, Natal e Ano-Novo. Como seguimos uma padronização internacional, os dados coletados aqui podem ser comparados aos de qualquer outro lugar do mundo integrado a essa rede", explicou Cássia Ferreira.

Critérios técnicos de localização

Para integrar a rede oficial do Inmet, a estação precisa atender a exigências técnicas: instalação sobre gramado de vegetação baixa para reduzir aquecimento do solo, equipamentos pintados de branco para refletir radiação solar, e ausência de árvores, prédios, concreto ou asfalto nas proximidades. "Os termômetros ficam a cerca de 1,5 metro de altura para evitar a influência da radiação do solo. O abrigo é ventilado, tem dupla camada e deve ficar voltado para o sul, nunca para o norte, para impedir que o sol incida diretamente sobre os instrumentos", detalhou a climatologista. A escolha do local busca evitar a influência urbana: "Às vezes as pessoas questionam os dados porque eles não refletem exatamente o que acontece no Centro da cidade. Mas essa não é a função dela. A estação representa as condições meteorológicas de forma mais regional. Tivemos, por um período, um equipamento instalado na avenida Getúlio Vargas e chegamos a registrar 47°C ali, uma temperatura influenciada pelo ambiente urbano", afirmou.

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Histórico de mais de um século

As observações meteorológicas em Juiz de Fora começaram em 1890, e a estação oficial vinculada ao sistema nacional foi instalada em 1910, mantendo uma série histórica de mais de 125 anos. Ao longo do tempo, funcionou em diferentes endereços: quase 30 anos no Largo do Riachuelo, de onde foi transferida após a grande enchente de 1940; depois no prédio dos Correios, na rua Marechal Deodoro, e na Praça Agassis, no bairro Mariano Procópio. Em 11 de maio de 1972, com a consolidação da UFJF, a estação foi instalada no campus, onde permanece até hoje.

Referência para comparação

Segundo Cássia Ferreira, apesar de sensores particulares espalhados pela cidade, a estação do Inmet é a principal referência. "O dado que a gente coleta aqui pode ser comparado com o de qualquer outro lugar do mundo integrado à mesma rede. Se uma estação estiver instalada sobre um piso de concreto, ela vai registrar temperaturas diferentes. Por isso existe toda uma padronização. Quando há outras estações pela cidade, normalmente os dados delas são calibrados e comparados com os da estação oficial". Ela destaca o desafio de ampliar a cobertura: "Hoje ainda há grandes vazios de monitoramento. Se tivéssemos uma estação em cada cidade, seria o cenário ideal. As grandes capitais costumam ter mais de uma estação, mas a maioria dos municípios conta com apenas uma estação do Inmet".

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Quase 40 anos dedicados à climatologia

Cássia Ferreira, docente do curso de Geografia da UFJF, vive a rotina da unidade desde 1988, quando era estagiária. Mesmo com a estação automática instalada em 2008, ela continua as observações convencionais, que mantêm a série histórica centenária. "A estação convencional vai um pouco além da automática porque inclui observações sensoriais, como cobertura do céu, tipos de nuvens, visibilidade, ocorrência de orvalho e nevoeiro. São informações que exigem a presença do observador". A manutenção da estação convencional garante a continuidade da série histórica, fundamental para pesquisas sobre o clima. "Manter essa série é muito importante para a UFJF, principalmente no contexto das mudanças climáticas. Como os sensores são diferentes, existem pequenas variações, e preservar esse histórico permite acompanhar a evolução do clima ao longo do tempo".

Evidências de aquecimento global

Os registros diários em Juiz de Fora mostram o aquecimento global. "Sem dúvida. Percebemos uma curva mais acentuada de aumento da temperatura depois dos anos 2000. Também registramos um crescimento no número de dias com temperaturas acima de 30°C, algo que antes era menos comum", afirmou Cássia. A continuidade do trabalho abastece estudos climatológicos no mundo inteiro, ajudando a aprimorar previsões e análises sobre mudanças climáticas e eventos extremos, como os registrados em Juiz de Fora em fevereiro.