De doméstica a tenente da PM: história de superação inspira milhares
De doméstica a tenente: superação que inspira

Lusinete Bispo Araújo, 50 anos, é 1ª tenente da Polícia Militar do Tocantins, mas sua ascensão profissional começou muito antes, quando ainda criança precisou trabalhar como babá para ajudar nas despesas de casa. A militar, aprovada em concurso público em 2001, relembra os anos de dedicação aos estudos enquanto enfrentava a rotina exaustiva do trabalho doméstico.

Infância e primeiros desafios

Natural de Almas, no Tocantins, Lusinete é a filha mais velha de sete irmãos. Aos 12 anos, começou a trabalhar como babá. Aos 17, mudou-se sozinha para Brasília, onde atuou como empregada doméstica por seis anos. Durante o dia, cuidava da limpeza; à noite, estudava para concluir o ensino fundamental e médio. Ao retornar ao Tocantins, passou a frequentar cursinhos nos finais de semana até ser aprovada no concurso da PM em 2001. Em abril de 2006, conquistou o posto de 1ª tenente.

Persistência como motor de mudança

“Diria que nunca desista de buscar seus objetivos e aproveite todas as oportunidades que a vida nos dá, sem passar por cima dos outros”, afirma a tenente. Sua história gerou grande repercussão: “Muitas pessoas ligaram e mandaram mensagem parabenizando pela questão de inspirar outras pessoas, bem como minha história ser a história delas também. Vi bastante repercussão e é muito gratificante poder inspirar. É muito gratificante poder, de alguma forma, impulsionar outras pessoas”, contou emocionada.

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Realidade do trabalho doméstico no Brasil

Lusinete deixou o trabalho doméstico após passar no concurso, mas parte do período ela morou na casa de empregadores – uma realidade comum a muitas mulheres na profissão. Segundo o Governo Federal, 5,6 milhões de pessoas atuam no trabalho doméstico remunerado, sendo que 92% da categoria são mulheres. Entre as trabalhadoras, 68% são negras. O rendimento médio das mulheres negras é de R$ 1.274, enquanto o das não negras é de R$ 1.463.

Raízes históricas e políticas de inclusão

A socióloga Solange Nascimento explica que essa desigualdade tem origens no período escravagista. “As mulheres negras eram aquelas que trabalhavam nas casas, que faziam todo esse processo de socialização das crianças e do cuidado da casa, e isso se reproduz até hoje.” Ela destaca que políticas públicas, como cotas no serviço público e ações afirmativas nas universidades, têm promovido mobilidade social para mulheres negras, indígenas e quilombolas. “Nós também temos as vagas destinadas às cotas no serviço público. Então, existem canais que têm sido criados para possibilitar que haja uma mobilidade social”, concluiu a especialista.

Legado de inspiração

A trajetória de Lusinete serve de exemplo para quem busca estabilidade financeira e melhor qualidade de vida. Casada há 12 anos e mãe de uma filha de um ano, ela continua a inspirar outras pessoas a persistirem nos estudos e acreditarem na transformação por meio do trabalho e da educação.

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