As denúncias de crimes cibernéticos no Amazonas saltaram de 438 para 18.904 entre 2017 e 2025, segundo o Anuário de Segurança Pública do Amazonas. O crescimento expressivo, cerca de 43 vezes em oito anos, é atribuído por especialistas ao fácil acesso digital e ao avanço do uso de inteligência artificial em golpes.
Deepfakes no Amazonas: casos reais e impacto
No estado, casos de deepfakes também foram registrados. Em 2023, a influenciadora Ruivinha de Marte usou as redes sociais para denunciar falsos nudes com seu rosto, que circulavam e até eram vendidos na internet. Segundo ela, os criminosos fizeram montagens usando seu rosto no corpo de outra pessoa.
A amazonense Luna Nikolas, hoje com 30 anos, sofreu golpe semelhante aos 25. "Meus amigos que viram primeiro e me mostraram as montagens. Eles ficam difamando a pessoa no site. Eles escreviam muitas coisas horríveis. Eu tentei até derrubar a conta, mas não consegui. Tentaram me extorquir pedindo dinheiro pra tirar do ar, mas eu deixei pra lá", relembrou.
Crescimento contínuo dos crimes cibernéticos
Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostram evolução contínua: 435 ocorrências em 2017, 1.369 em 2018, até chegar a 18.904 em 2025. O estelionato lidera os registros, passando de 11 casos em 2017 para 6.925 em 2025, com alta de 14,7% em relação a 2024 (6.035 casos).
As invasões de dispositivo informático também cresceram, de 8 para 1.952 casos no período, embora a alta recente (2024-2025) tenha sido de apenas 3,8%. Já as ameaças por meios eletrônicos avançaram 41,4% em um ano, de 1.496 para 2.116 registros, o maior percentual entre as modalidades analisadas.
Inteligência artificial impulsiona golpes
Para o especialista em direito digital na Amazônia, Aldo Evangelista, a transformação digital da última década ampliou o acesso a ferramentas como IA, impactando o número de golpes. "Esse crescimento é resultado da combinação de diversos fatores ao mesmo tempo. Há mais crimes, mais vítimas, mais registros de ocorrência e uma maior capacidade das autoridades em identificar e classificar essas infrações como crimes digitais", explica.
Ele ressalta que ninguém está imune: "Atualmente, qualquer pessoa conectada pode ser vítima, independentemente da idade ou do nível de escolaridade. Os adultos costumam ser mais visados porque movimentam mais dinheiro e utilizam intensamente aplicativos bancários e o PIX. Já os jovens também são alvo frequente de fraudes envolvendo redes sociais, jogos eletrônicos, falsas oportunidades de investimento e invasão de contas digitais".
Como denunciar crimes cibernéticos
As vítimas podem registrar boletim de ocorrência online na Delegacia Virtual do Ministério da Justiça ou anonimamente pelo disque-denúncia 181, que funciona 24 horas. O advogado especialista em direito digital, Fernando Filho, orienta: "Copie o link da publicação, tire prints, grave a tela quando possível e mantenha as conversas salvas. Depois, registre um boletim de ocorrência na Delegacia Virtual. Quem sofreu prejuízo financeiro também deve comunicar imediatamente o banco e guardar todos os protocolos de atendimento. Se a imagem da vítima foi utilizada em golpes ou deepfakes, é fundamental solicitar a remoção do conteúdo às plataformas e, se necessário, buscar auxílio jurídico para adoção das medidas judiciais cabíveis".



