O fim da moratória da soja, acordo que impedia a compra de grãos cultivados em áreas desmatadas da Amazônia, resultou em um aumento de 30% no desmatamento na região em 2025, segundo estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (17), mostra que a área desmatada passou de 1.200 km² em 2024 para 1.560 km² no ano passado, o maior índice desde 2020.
Impacto direto da suspensão do acordo
A moratória, vigente desde 2006, era considerada uma das principais ferramentas de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Em 2024, o acordo não foi renovado por divergências entre produtores rurais e o governo federal. O Imazon alerta que a falta do compromisso voluntário das trading companies abriu espaço para a expansão da soja sobre áreas de floresta nativa.
“A moratória funcionava como um freio de emergência. Sem ela, o desmatamento voltou a crescer de forma acelerada”, afirma Carlos Souza, pesquisador do Imazon e coordenador do estudo. Os dados foram coletados por satélites do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Regiões mais afetadas
Os municípios de Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA) e Lábrea (AM) concentraram 45% do desmatamento registrado em 2025. Nessas áreas, a soja avançou sobre terras públicas não destinadas e unidades de conservação. O estudo aponta que 70% dos novos plantios de soja ocorreram em áreas com indícios de grilagem.
Reação do governo e do setor
O Ministério do Meio Ambiente informou que estuda novas medidas para conter o desmatamento, como a criação de um selo de sustentabilidade para a soja e o fortalecimento da fiscalização por satélite. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) defende que a moratória não era mais necessária, pois o Código Florestal já exige a preservação de reserva legal. “O produtor não precisa de um acordo extra para cumprir a lei”, diz o presidente da Aprosoja, André Nassar.
Consequências econômicas e ambientais
O desmatamento adicional gerou a emissão de 120 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, agravando o aquecimento global. Além disso, a perda de biodiversidade afeta comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem da floresta. Organizações ambientalistas, como o Greenpeace, pressionam por um novo acordo com metas mais rígidas.
O Imazon recomenda a retomada imediata da moratória e a ampliação do monitoramento para outros biomas, como o Cerrado. “Sem ações concretas, o Brasil corre o risco de ver a Amazônia atingir um ponto de não retorno”, conclui Souza.



