Campinas adota método Wolbachia para combater dengue a partir de 2027
Campinas adota Wolbachia contra dengue em 2027

A cidade de Campinas (SP) foi escolhida pelo Ministério da Saúde para implementar o Método Wolbachia, estratégia que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores de uma bactéria capaz de bloquear a transmissão de dengue, zika e chikungunya. A previsão é que a soltura dos insetos modificados comece em maio de 2027, com os primeiros impactos esperados para 2028. O anúncio foi feito pela prefeitura nesta terça-feira (7).

Como funciona a Wolbachia

A Wolbachia é uma bactéria intracelular presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos, mas não é transmissível para humanos ou animais. Quando inserida no Aedes aegypti, impede a replicação do vírus da dengue dentro do mosquito. Assim, mesmo que o inseto pique uma pessoa, não transmite a doença. A técnica é chamada de substituição populacional: os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente e se reproduzem com os selvagens, passando a bactéria aos descendentes. Com o tempo, a população local passa a ser majoritariamente composta por mosquitos que não transmitem os vírus.

Cronograma e metas

Segundo a Secretaria de Saúde de Campinas, a soltura dos mosquitos ocorrerá ao longo de 26 semanas, a partir de maio de 2027, período de redução natural da circulação viral. A expectativa é que os resultados comecem a ser percebidos a partir de 2028. O método será considerado efetivo quando ao menos 60% da população local de Aedes aegypti estiver carregando a bactéria, conforme diretrizes do Ministério da Saúde. O monitoramento será realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Investimento e estrutura

Para viabilizar o projeto, Campinas pretende implantar uma biofábrica para produção dos mosquitos, contratar 59 agentes de controle ambiental e dois biólogos, além de locar 14 veículos e adquirir equipamentos. O custo estimado varia entre R$ 20 milhões e R$ 22 milhões. Desse total, R$ 7 milhões serão repassados pelo Ministério da Saúde, e o restante financiado pelo orçamento municipal. A empresa Wolbitos, responsável pela operação da tecnologia no Brasil, fornecerá assessoria técnica, treinamento, ações de conscientização e os ovos com Wolbachia.

Histórico e contexto

Em 2024, Campinas solicitou ao Ministério da Saúde a inclusão no programa, mas ficou fora da primeira fase de expansão devido a limitações na capacidade de produção dos mosquitos, entrando em uma lista de espera. Naquele ano, a metrópole enfrentava a terceira maior epidemia de dengue desde 1998. Agora, com a formalização da aceitação do convite federal, a cidade receberá apoio técnico a partir de agosto. A expectativa das autoridades é que a estratégia se torne uma ferramenta permanente de combate às arboviroses, complementando eliminação de criadouros, vacinação e controle vetorial.

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