O Amazonas se consolidou como o estado com o maior número de Terras Indígenas (TIs) sob forte pressão de desmatamento no segundo trimestre de 2026, que compreende os meses de abril, maio e junho. A constatação consta do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Além de abrigar parte da TI Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima e líder do ranking de pressão desde o início do ano, o estado reúne outras três áreas indígenas na lista das dez mais afetadas no período: a TI Pirahã, a TI Rio Biá e a TI Coatá-Laranjal. A lista das dez mais afetadas no segundo trimestre concentra parte expressiva dos alertas no Amazonas, colocando o estado no centro do problema.
O relatório distingue dois cenários: áreas sob pressão são aquelas em que o desmatamento ocorre dentro dos limites territoriais; áreas sob ameaça são as que sofrem com o avanço da devastação em um raio de até 10 km a partir do entorno. Essa metodologia permite avaliar tanto a degradação interna quanto a pressão externa sobre as áreas protegidas.
Quatro terras indígenas do AM estão no top 10 de pressão interna
No ranking geral da Amazônia Legal, o Amazonas se destaca negativamente no segmento das terras indígenas com maior número de alertas de desmatamento dentro dos limites das áreas. Veja as posições:
- 1º lugar – TI Yanomami (AM/RR)
- 6º lugar – TI Pirahã (AM)
- 7º lugar – TI Rio Biá (AM)
- 9º lugar – TI Coatá-Laranjal (AM)
“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos”, alerta a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.
A presença repetida desses territórios em rankings de pressão indica que o problema não é pontual, mas estrutural, exigindo políticas públicas permanentes de proteção.
Flona do Iquiri é a 2ª área protegida mais ameaçada
Além das pressões internas sobre as terras indígenas, o Amazonas também figura entre as áreas protegidas mais ameaçadas pelo avanço do desmatamento no entorno. A Floresta Nacional (Flona) do Iquiri, localizada no sul do Amazonas, ocupa a segunda posição entre as áreas protegidas mais ameaçadas de toda a Amazônia Legal no segundo trimestre de 2026, ficando atrás apenas da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre.
O Parque Nacional (Parna) Mapinguari, que se estende entre o Amazonas e Rondônia, aparece na quinta colocação do mesmo ranking.
Já no recorte das Terras Indígenas sob ameaça externa, o Amazonas reúne quatro territórios em alerta: TI Caititu (5º lugar), TI Jacareúba/Katawixi (7º lugar), TI Peneri/Tacaquiri (8º lugar) e TI Água Preta/Inari (9º lugar).
Pará lidera ranking geral na Amazônia Legal
Embora o Amazonas tenha o maior número de TIs sob pressão, o Pará é o estado que lidera o índice geral de áreas protegidas mais pressionadas e ameaçadas da Amazônia Legal. A APA Triunfo do Xingu, localizada no Pará, aparece no topo do ranking de pressão pelo quinto ano consecutivo.
O pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon, avalia que a repetição dos alertas em áreas protegidas é um sinal de alerta para os órgãos de fiscalização: “A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento e intensificar a fiscalização”, avalia.
O conjunto dos dados reafirma que o desmatamento na Amazônia não atinge apenas a vegetação, mas também os direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais que dependem da floresta para sobreviver.



