Painel Amazônia Que Eu Quero debate democracia digital e fake news
Amazônia Que Eu Quero discute democracia digital e fake news

A edição 2026 do painel do Amazônia Que Eu Quero reuniu especialistas para abordar os desafios do ambiente digital e o papel das instituições na garantia da transparência e da participação dos cidadãos. O encontro ocorreu na quinta-feira (18) no auditório do Instituto Federal do Acre (Ifac), com a participação de estudantes da instituição. O g1 transmitiu o debate ao vivo.

Democracia na era digital

Com o tema “Democracia na Era Digital e a importância da busca da informação correta e o papel dos organismos de fiscalização”, o painel teve o objetivo de incentivar a reflexão sobre a importância de acessar informações confiáveis. O debate foi mediado pelo apresentador da Rede Amazônica Murilo Lima. Participaram Pablo Mendes, especialista em Tecnologia e Modernização da Gestão Pública e acadêmico de Jornalismo na Universidade Federal do Acre (Ufac); Thales Quintão, doutor em Ciência Política e professor da Ufac; e o juiz titular do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC) e especialista em Direito Eleitoral e Administrativo, Thalles Sales.

Importância do debate

“O projeto Amazônia Que Eu Quero traz à luz discussões importantes para a nossa sociedade. Hoje, mais do que nunca, é importante a gente discutir a democracia na era digital, o uso das IAs, a preocupação com as fake news e, claro, também entender como foi esse movimento de digitalização do processo eleitoral e saber como a modernização está cada vez mais trazendo vantagens e benefícios para esse processo”, declarou o apresentador.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Para a estudante Esther Coragem, do Ifac, discussões como a que foi proposta pelo painel deste ano são essenciais, especialmente no caso dela, que vai votar pela primeira vez. Na avaliação da jovem, o debate permite que o público crie mecanismos próprios para se proteger contra a desinformação. “Em relação a esse tipo de palestra, eu tenho uma relação muito boa, eu acho que é super eficaz, principalmente como foi feito hoje, onde não induz o aluno a nenhuma opinião política, mas sim a pensar sobre os problemas e pensar sobre as soluções. Assim, você consegue desenvolver uma linha de raciocínio próprio sem você ser induzido a nada”, destacou.

Ferramentas e intenções

O especialista Pablo Mendes ponderou que as ferramentas de inteligência artificial possuem funcionalidades que podem ajudar no processo eleitoral, com interpretação de dados e de texto. Contudo, tudo depende da intenção no uso das tecnologias e, por isso, podem acabar intensificando fatores como a desinformação. “Depende muito de quem vai utilizar e depende muito também da gente ter o discernimento pra duvidar daquilo que tá recebendo. A Justiça Eleitoral também tem que proporcionar ferramentas, a legislação tem que acompanhar a evolução tecnológica, as pessoas. A inteligência [artificial] ela pode sim ser uma ferramenta de desinformação, mas eu acho que o cerne dela é uma ferramenta que veio pra ajudar pra facilitar”, pontuou.

Perigo da desinformação

Para o cientista político Thales Quintão, a desinformação se torna nociva pois contamina a opinião pública, o que reflete diretamente na democracia. “Então uma prioridade na agenda da política pública pode ser corrompida, pode criar falso preceitos. A eleição é primordial na democracia, porque ela canaliza diferentes demandas, interesses, projetos políticos de forma não violenta. Mas, se você tem uma desinformação, isso pode até colocar em xeque a legitimidade das próprias eleições”, avaliou.

Combate às fake news

O magistrado e representante do TRE Thalles Sales ressalta que os conteúdos falsos têm sido cada vez mais combatidos pelas instituições responsáveis pela realização dos pleitos eleitorais. Ele ressaltou que, para 2026, há leis mais rigorosas, como a obrigação de sinalizar conteúdos feitos por inteligência artificial. “E o principal: as plataformas são solidariamente responsáveis por qualquer conteúdo que dissemine desinformação, que dissemine fake news. Então, uma vez notificada ou alertada sobre aquilo e não tomar providências, ela também será igualmente punida igual aos perfis que também disseminam essa prática”, comentou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Concebido em 2019, o Projeto Amazônia Que eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e Grupo Rede Amazônica que tem por objetivo promover a educação política por meio da interação entre os principais agentes e setores da sociedade. A ação também promove o levantamento de informações junto aos gestores públicos e da participação ativa da população, por meio de câmaras temáticas estabelecidas pelo programa, como foi o caso da edição de 2025, que discutiu a gestão eficiente de resíduos.