O governo federal reconheceu nesta terça-feira (7) a situação de emergência nos 16 municípios do Amapá devido ao surto de vírus respiratórios, conforme publicado no Diário Oficial da União. A medida foi motivada pelo aumento expressivo de atendimentos por síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em hospitais infantis do estado.
Aumento de 99% nos atendimentos infantis
Os hospitais infantis do Amapá registraram um aumento de 99% nos atendimentos por síndrome gripal no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Foram 3.409 atendimentos em 2025 contra 6.798 em 2026, segundo dados do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Em relação aos casos de SRAG, houve um crescimento de 9%: 765 casos em 2026 contra 701 em 2025. O pico de casos ocorreu entre 17 de maio e 4 de junho.
Mudança nos critérios do Ministério da Saúde
A responsável técnica do Núcleo de Epidemiologia do HCA, Ingrid Martins, explicou que parte do aumento está relacionada à atualização dos critérios de classificação adotados pelo Ministério da Saúde a partir de fevereiro de 2026. "Parte desse aumento está relacionada à atualização dos critérios de classificação adotados pelo Ministério da Saúde a partir de fevereiro deste ano, que passou a incluir um número maior de sinais e sintomas respiratórios nas notificações de síndrome gripal. Portanto, o aumento observado nas primeiras semanas epidemiológicas de 2026 coincide com a atualização das orientações do Ministério da Saúde", afirmou.
Os novos critérios passaram a incluir sintomas como dor de garganta, coriza e faringite, ampliando o número de notificações.
Vírus circulantes e situação de emergência
De acordo com o governo federal, pelo menos cinco vírus circulam no Amapá: rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), influenza A, influenza B e adenovírus. Com o reconhecimento federal, o estado e os municípios podem solicitar recursos da União para ações de saúde. A situação de emergência tem validade de 180 dias.
A portaria federal baseia-se no decreto estadual nº 4.864, assinado em 3 de julho, que dá sequência ao decreto de junho motivado pelo aumento de casos de SRAG. O governo estadual destacou preocupação com a região metropolitana, e o Boletim InfoGripe apontava Macapá em nível de alerta, com tendência de crescimento no curto e no longo prazo. Oiapoque, no Norte do estado, também entrou em alerta: entre 10 e 18 de maio, o hospital da cidade registrou 166 atendimentos por síndrome gripal, alta de 43% em relação ao mesmo período de 2025.
Vacinação contra gripe ampliada
A vacinação contra influenza foi ampliada para todos os públicos a partir de 6 meses na região Norte. No Amapá, a campanha terminou em 30 de abril, mas os municípios podem aplicar doses conforme decisão local. O imunizante está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), de segunda a sexta-feira. Os grupos prioritários incluem crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes e puérperas, idosos acima de 60 anos, trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, caminhoneiros e outros grupos vulneráveis.



