Nova geração de startups brasileiras já nasce global, diz Monashees
Nova geração de startups brasileiras já nasce global

No Web Summit Rio 2026, Eric Acher, co-fundador e managing partner da Monashees, afirmou que o Brasil entra em uma terceira onda de inovação, na qual as startups já nascem globais. "A primeira fase foi colocar o país no mapa. Depois, deixamos de criar copycats para desenvolver empresas locais em padrão global. Agora, nessa terceira onda, acreditamos que as startups brasileiras já nasçam globais", disse durante painel.

Momento estratégico para a inteligência artificial

Na visão de Eric, o avanço da inteligência artificial chega em momento estratégico para o Brasil, após duas décadas de desenvolvimento do ecossistema, formação de talentos e amadurecimento das empresas locais. "Se essa revolução tivesse acontecido 20 anos atrás, a gente não estaria tão preparado para capturar valor", afirmou. Para ele, o cenário favorece o surgimento de uma geração de empreendedores com qualidade técnica e criatividade para competir globalmente.

Gama Fund: parceria Monashees e Google

Nesse contexto, a Monashees se uniu ao Google para lançar o Gama Fund, iniciativa que prevê co-investimentos de até US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões) em cinco startups brasileiras de IA. Segundo Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, o projeto foi estruturado como via de mão dupla. Além do aporte financeiro, as startups selecionadas terão acesso a créditos do Google Cloud, mentoria técnica de equipes seniores e aos modelos de IA mais recentes da companhia. Em contrapartida, o feedback dessas empresas deve ajudar as equipes do Google a refinar e aprimorar seus próprios modelos de inteligência artificial.

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O processo de seleção prevê inscrições abertas e análise contínua de startups acompanhadas pelas equipes durante eventos e interações com o ecossistema. Para participar, as empresas precisam ter IA no centro do modelo de negócio, contar com fundadores brasileiros — atuando no Brasil ou no exterior — e demonstrar interesse em colaborar com engenheiros e pesquisadores do Google.

Barreiras persistentes

Em painel mediado pelo editor-chefe do Startups, Gustavo Brigatto, os executivos convergiram no diagnóstico sobre os principais entraves do ecossistema brasileiro. Para Eric, da Monashees, o maior gargalo continua sendo o acesso a capital. "O volume disponível é desproporcional ao potencial das empresas", afirmou. Na avaliação dele, o papel do governo e dos reguladores deve ser reduzir barreiras à execução e desburocratizar o ambiente de negócios, mais do que criar incentivos diretos ou ampliar os aportes públicos.

Fábio, do Google, reforçou o argumento sob a ótica da segurança jurídica. Segundo o executivo, o capital estrangeiro tende a buscar mercados com estabilidade institucional e regulatória. Ele citou o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados como exemplos de marcos regulatórios relevantes, e destacou que o Google tem atuado junto ao Congresso para defender um ambiente favorável à inovação, especialmente no avanço da IA.

Fábio destacou que o Brasil reúne características que poucos mercados concentram ao mesmo tempo: uma base de consumidores sofisticada, setores produtivos avançados — como agronegócio e indústria de celulose — e reservas estratégicas de minerais críticos. "Temos que aproveitar os nossos talentos para tornar isso realidade", disse.

O desafio, segundo os executivos, é transformar esses ativos em empresas de tecnologia com impacto global, e não apenas em exportação de commodities ou replicação de modelos criados fora do país. Nessa visão, o Gama Fund surge como uma aposta de que a próxima geração de fundadores brasileiros já está preparada para dar esse salto.

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