Os administradores de fundos enviam mensalmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma vasta quantidade de informes de patrimônio, inadimplência e carteira, compondo um dos conjuntos de dados públicos mais ricos — e menos acessados — do mercado de capitais brasileiro. Agora, uma inteligência artificial promete facilitar o acesso a essas informações.
O que é o Tomé?
O Tomé (agentetome.com) é um agente gratuito e de acesso público, desenvolvido pela Liqi Digital Assets, que utiliza inteligência artificial para processar informes de fundos de recebíveis (FIDCs), fundos imobiliários (FIIs) e fundos líquidos. A ferramenta responde a consultas a partir do nome ou do CNPJ do fundo, retornando dados extraídos diretamente dos documentos enviados à CVM.
Segundo a Liqi, o Tomé já leu 34 milhões de informes de cerca de 47 mil fundos e operações, abrangendo desde os informes mensais detalhados de FIDCs, FIIs e certificados de recebíveis (CRI/CRA) até os informes diários de cota e patrimônio dos fundos líquidos. São seis anos de histórico, com mais de R$ 1,3 trilhão declarado em estruturas de crédito e imobiliárias.
Como funciona na prática?
Na prática, o investidor pode perguntar como faria a um analista: se o fundo entrega os informes em dia, se a subordinação está caindo, qual a vacância declarada em um FII ou o que mudou na última correção enviada ao regulador. A ferramenta promete responder com o dado declarado e apontar a fonte, permitindo conferir cada número nos sistemas públicos da CVM.
“Não damos nota nem recomendação. O Tomé mostra o que foi declarado, o que mudou depois e o que não fecha — e entrega a fonte de cada número. Quem tira conclusão é o leitor”, explica o CEO e fundador da Liqi, Daniel Coquieri.
Contexto de crescimento dos FIDCs
A novidade chega em um momento de forte crescimento dos FIDCs, que fecharam o primeiro semestre do ano com captação líquida de R$ 30 bilhões, atrás apenas de fundos de renda fixa, ETFs e fundos de participações, segundo a Anbima. O número de contas de pessoas físicas nesses fundos cresceu quase 20% no período, para 435 mil, e o patrimônio total chegou a R$ 771,4 bilhões. Esse veículo exige do alocador a paciência de garimpar subordinação, inadimplência e lastro documento a documento — tarefa que o Tomé se propõe a automatizar.
Reorganização da Liqi
O Tomé é o produto mais recente de uma reorganização da Liqi, plataforma de tokenização e securitização que nos últimos meses reformulou a operação em torno de blockchain e inteligência artificial. “A gente virou a empresa de cabeça para baixo. Cada processo foi repensado com a pergunta: isso precisa de um humano ou precisa de critério bem definido? O Tomé é esse aprendizado aplicado ao dado público”, conta Coquieri.



