Uso de IA em artigos científicos preocupa pesquisadores; 12% dos papers de 2024 têm indícios
Uso de IA em artigos científicos preocupa pesquisadores; 12% dos papers de 2024 têm indícios

O uso crescente de inteligência artificial, especialmente grandes modelos de linguagem (LLMs) como ChatGPT e Gemini, na redação de artigos científicos tem gerado preocupação entre pesquisadores. Estudos indicam que entre 10% e 12% dos artigos acadêmicos publicados em 2024 apresentam sinais de uso dessas ferramentas, muitas vezes sem transparência.

Uma pesquisa liderada por Andrew Gray, do University College de Londres, analisou artigos na base de dados Dimensions e estimou que pelo menos 10% dos papers foram editados, traduzidos ou parcialmente gerados por LLMs. Outros estudos apontam números entre 8% e 16%. Os indícios incluem uso desproporcional de palavras características desses modelos.

Um levantamento da Universidade McMaster, no Canadá, revelou que dois terços das publicações científicas ainda não possuem diretrizes específicas para o uso de IA. Das 162 editoras consultadas, apenas 56 tinham regras em meados de 2023, e somente quatro adotaram tolerância zero. A maioria permite uso para correção gramatical ou de estilo, desde que haja aviso.

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O neurocientista Esper Cavalheiro, assessor da Fapesp, alerta que o uso de chatbots como 'autores' compromete a capacidade crítica do pesquisador. A Fapesp adota política rígida contra o uso de LLMs em projetos de pesquisa e pareceres de revisão por pares. 'Se ele delega o trabalho à LLM, não está colocando aquilo que o diferencia dos demais', afirma.

Embora o uso de IA seja aceito em pesquisa, há preocupação com a falta de transparência e o risco de informações falsas. A maioria dos artigos suspeitos não alerta os leitores sobre o uso de LLMs, mesmo quando exigido pelas publicações.

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