Música ocidental perde complexidade, aponta análise matemática
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Londres utilizou métodos matemáticos para analisar a evolução da música ocidental ao longo de mais de quatro séculos. O levantamento, que examinou partituras e gravações de 1600 a 2021, revela que a complexidade harmônica e melódica atingiu seu auge na década de 1960 e, desde então, vem apresentando um declínio significativo.
Metodologia do estudo
Os cientistas aplicaram algoritmos para quantificar a diversidade de acordes, a variedade de notas e a estrutura rítmica de milhares de obras. Eles observaram que, após um crescimento gradual da complexidade musical desde o período barroco, houve um pico notável entre 1950 e 1970, impulsionado por gêneros como jazz, rock progressivo e música experimental.
“A década de 1960 foi um ponto de inflexão. Compositores como The Beatles, Miles Davis e Igor Stravinsky exploraram novas fronteiras harmônicas, mas a tendência se inverteu a partir dos anos 1980”, explica o Dr. Mark Thompson, líder da pesquisa.
Fatores para o declínio
O estudo aponta que a simplificação musical pode estar ligada a fatores culturais e tecnológicos. A ascensão do pop radiofônico, a padronização da indústria fonográfica e o uso de softwares de produção musical com loops e samples pré-definidos contribuíram para a redução da diversidade musical.
“A música pop atual prioriza a repetição e a acessibilidade, em detrimento da inovação harmônica. Isso não significa que não haja obras complexas hoje, mas a média geral caiu”, complementa Thompson.
Exceções e críticas
Embora o declínio seja evidente na média, alguns gêneros como o metal progressivo e a música eletrônica experimental mantêm altos níveis de complexidade. Críticos do estudo argumentam que a análise matemática não captura aspectos subjetivos da música, como emoção e criatividade.
“A complexidade não é sinônimo de qualidade. Muitas músicas simples são artisticamente valiosas”, ressalta a musicóloga Ana Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Implicações para o futuro
O estudo levanta questões sobre a direção da música ocidental. Se a tendência de simplificação continuar, a diversidade musical pode diminuir ainda mais. No entanto, os pesquisadores acreditam que a conscientização sobre o fenômeno pode inspirar novos movimentos de resgate da complexidade.
Para o público, a mensagem é clara: explorar músicas de diferentes épocas e estilos pode enriquecer a experiência auditiva e valorizar a riqueza harmônica que a música ocidental já produziu.



