Médicos brasileiros estão propondo uma nova terminologia para descrever o uso de inteligência artificial na medicina: 'Organização Artificial'. O termo, defendido pelos médicos Marco Orsini, Acary SB Oliveira, Luiza Travalloni e Carlos Henrique Melo Reis, busca substituir expressões como 'inteligência artificial' no contexto clínico, argumentando que a tecnologia não possui consciência ou discernimento.
O que é 'Organização Artificial'?
Segundo os especialistas, 'Organização Artificial' refere-se a sistemas computacionais que organizam dados e fornecem recomendações baseadas em algoritmos, mas sem a capacidade de compreender nuances clínicas. Eles alertam que o uso do termo 'inteligência' pode levar pacientes e profissionais a confiarem cegamente nessas ferramentas.
O médico Marco Orsini, um dos proponentes, afirma: 'A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas não pode substituir o julgamento clínico humano. Chamá-la de inteligência artificial cria uma falsa sensação de autonomia e precisão.'
Riscos da substituição do discernimento humano
Os médicos destacam que decisões baseadas apenas em algoritmos podem ignorar fatores subjetivos, como histórico emocional do paciente ou sinais sutis que um profissional treinado perceberia. Eles citam exemplos de diagnósticos incorretos gerados por sistemas de IA quando confrontados com casos atípicos.
Além disso, a falta de transparência em alguns algoritmos dificulta a verificação de erros. 'É essencial que o médico mantenha o controle final sobre qualquer decisão', reforça Orsini.
Impacto na prática clínica
A adoção do termo 'Organização Artificial' poderia influenciar a forma como a tecnologia é regulamentada e utilizada. Os médicos sugerem que hospitais e clínicas adotem protocolos que exijam validação humana de todas as recomendações algorítmicas.
Eles também pedem que a educação médica inclua treinamento sobre os limites da tecnologia, preparando futuros profissionais para usar essas ferramentas de forma crítica.
A proposta já circula entre sociedades médicas e pode ser debatida em congressos no Brasil. Enquanto isso, os especialistas reiteram que a tecnologia deve servir como apoio, nunca como substituta da experiência clínica.



