O botânico italiano Stefano Mancuso, diretor do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal, lançou recentemente um livro que desafia a visão antropocêntrica sobre o reino vegetal. Em entrevista ao jornal O Globo, Mancuso afirmou que as plantas possuem 'superpoderes' que o ego humano se recusa a reconhecer, como capacidade de comunicação, memória e resolução de problemas.
Comunicação e sensibilidade vegetal
Mancuso explica que as plantas são capazes de detectar estímulos ambientais, como luz, gravidade e até mesmo sons. Elas trocam informações por meio de sinais químicos e elétricos, formando uma verdadeira rede de comunicação subterrânea. 'As plantas são seres sociais, cooperam entre si e com outros organismos', destaca o pesquisador.
Segundo ele, experimentos mostram que as plantas reconhecem parentes e competidores, ajustando seu crescimento de acordo. 'Uma planta que percebe a presença de um irmão ao lado investe menos em raízes, pois sabe que não precisa competir', exemplifica.
Memória e aprendizado
Outra habilidade surpreendente é a memória. Mancuso cita estudos em que plantas submetidas a estímulos repetitivos aprendem a não responder a estímulos inócuos. 'Elas se lembram de experiências passadas e modificam seu comportamento', afirma.
O botânico ressalta que a falta de um cérebro não impede a inteligência. 'As plantas processam informações de forma descentralizada, com cada célula atuando como um processador. Isso lhes confere uma forma de inteligência distribuída', explica.
Impacto na ciência e na sociedade
As descobertas de Mancuso têm implicações profundas. 'Se reconhecermos a inteligência vegetal, nossa relação com a natureza mudará radicalmente', prevê. Ele critica o ego humano, que coloca o homem no centro do universo e despreza outras formas de vida.
O livro, intitulado 'A Revolução das Plantas', propõe uma nova ética ecológica. 'Precisamos respeitar as plantas como seres sencientes, capazes de sentir e reagir ao ambiente', conclui Mancuso.



