Um estudo publicado na revista científica npj Aging estima que o limite máximo da longevidade humana é de 156 anos. A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto de Pesquisa e Inovação do Japão, utilizou um modelo matemático inovador que considera as mutações somáticas acumuladas no DNA ao longo da vida.
Modelo matemático e mutações somáticas
Os pesquisadores desenvolveram um modelo que elimina virtualmente outras causas de envelhecimento, como doenças crônicas e fatores ambientais, focando exclusivamente nas mutações somáticas. Essas alterações genéticas ocorrem em células não reprodutivas e se acumulam com a idade, contribuindo para o declínio funcional dos tecidos.
De acordo com o estudo, neurônios e cardiomiócitos (células do coração) são os fatores limitantes para a longevidade. Essas células apresentam baixa taxa de renovação e são essenciais para funções vitais, tornando-se mais vulneráveis ao acúmulo de mutações.
Expectativa de vida sem envelhecimento natural
A pesquisa sugere que, se o envelhecimento natural fosse eliminado, a expectativa de vida humana poderia alcançar até 194 anos. No entanto, o limite prático de 156 anos é imposto pela acumulação de mutações somáticas, mesmo em condições ideais de saúde.
Os autores destacam que o estudo não considera intervenções médicas que possam reparar danos genéticos, o que poderia estender ainda mais o limite. "Nossos resultados indicam que a longevidade máxima é determinada por mecanismos biológicos intrínsecos, mas avanços na medicina regenerativa podem alterar esse cenário", afirmam os pesquisadores.
Implicações para a ciência do envelhecimento
A descoberta tem implicações importantes para a pesquisa sobre envelhecimento e longevidade. Compreender o papel das mutações somáticas pode ajudar no desenvolvimento de terapias que retardem o acúmulo de danos genéticos, potencialmente aumentando a expectativa de vida saudável.
O estudo foi recebido com interesse pela comunidade científica, embora alguns especialistas ressaltem a necessidade de validação em modelos animais e humanos. "É um passo promissor, mas a longevidade humana é influenciada por múltiplos fatores, incluindo genética, estilo de vida e ambiente", comenta um gerontologista não envolvido na pesquisa.



