Câncer transmissível é descoberto em peixes de água doce pela primeira vez
Câncer transmissível em peixes de água doce é descoberto

Cientistas anunciaram a descoberta do primeiro caso de câncer transmissível em peixes de água doce. O melanoma foi identificado em bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) no Lago Memphremagog, um corpo d'água que faz fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que o tumor se comporta como um parasita, sendo transmitido entre os peixes possivelmente durante a reprodução. Este é o quarto registro de câncer transmissível no reino animal, após casos em diabos-da-Tasmânia, cães e moluscos bivalves.

O que é um câncer transmissível?

Cânceres transmissíveis são doenças malignas que podem se espalhar de um indivíduo para outro por meio de células tumorais vivas. Diferentemente dos cânceres comuns, que surgem de mutações no próprio organismo, esses tumores atuam como um parasita celular, capazes de infectar novos hospedeiros. Até agora, apenas três exemplos eram conhecidos: o tumor facial do diabo-da-Tasmânia (DFTD), o tumor venéreo transmissível canino (CTVT) e uma neoplasia em moluscos bivalves. A descoberta em peixes de água doce amplia o entendimento sobre a evolução dessas doenças.

O caso do bagre-marrom

O melanoma encontrado nos bagres-marrons do Lago Memphremagog foi estudado por mais de uma década por especialistas. As células cancerígenas apresentam uma assinatura genética consistente entre os peixes infectados, indicando que compartilham uma origem comum. Segundo o estudo, a transmissão provavelmente ocorre durante a reprodução, quando há contato direto entre os peixes. Apesar de a doença ser letal para os bagres, os cientistas descartam qualquer risco de transmissão para humanos, pois as células tumorais são altamente específicas à espécie.

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Implicações para a ciência e conservação

A descoberta levanta questões sobre a dinâmica populacional dos bagres-marrons e o impacto ecológico no Lago Memphremagog. Como o câncer se espalha de forma contagiosa, ele pode afetar a taxa de mortalidade e a reprodução dos peixes. Ecologistas alertam que doenças transmissíveis podem ameaçar espécies já vulneráveis. No entanto, o estudo também abre portas para pesquisas sobre mecanismos de transmissão e possíveis formas de imunização em animais.

O trabalho, liderado por pesquisadores da Universidade de Vermont e do Serviço Canadense de Vida Selvagem, utilizou sequenciamento genético para confirmar a clonalidade das células tumorais. “É um achado surpreendente que muda nossa compreensão sobre a evolução do câncer”, afirmou um dos autores em comunicado. A equipe planeja monitorar a prevalência da doença e investigar se outros corpos d'água apresentam casos similares.

Contexto global

Os cânceres transmissíveis são raros na natureza, mas cada descoberta oferece insights valiosos sobre a biologia do câncer. O caso dos bagres-marrons é o primeiro em vertebrados aquáticos e destaca a capacidade de adaptação das células tumorais. Comparado ao DFTD, que levou à extinção local de populações de diabos-da-Tasmânia, o câncer em peixes pode ter efeitos menos catastróficos devido à alta taxa reprodutiva dos bagres. No entanto, monitoramento contínuo é essencial.

O estudo foi publicado na Nature em julho de 2026 e já gera debates entre biólogos e oncologistas. Por enquanto, não há evidências de que o melanoma transmissível represente uma ameaça à saúde pública ou ao abastecimento de água. A pesquisa continua para entender melhor os mecanismos de transmissão e possíveis formas de controle.

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