O Zoológico de Leipzig, na Alemanha, é referência mundial em pesquisas com grandes primatas. Estudos recentes revelaram que chimpanzés utilizam telas sensíveis ao toque para navegar em florestas virtuais e encontrar recompensas alimentares, aplicando técnicas similares às usadas na natureza. Outra pesquisa investigou a curiosidade social desses animais, descobrindo que eles buscam ativamente informações sobre interações alheias, mesmo que isso signifique abrir mão de comida.
Curiosidade social supera recompensas
De acordo com o estudo, acompanhar os últimos desenvolvimentos sociais de seus pares é fundamental para o bem-estar social dos chimpanzés. A pesquisa, que contou com a participação do professor Alejandro Sánchez-Amaro, da Universidade de Stirling, buscou entender se as diferenças na cooperação e resolução de conflitos entre primatas se deviam ao humor momentâneo ou a traços de personalidade duradouros.
Banco de dados EVApeCognition
Para responder a essas questões, os pesquisadores desenvolveram o EVApeCognition, um banco de dados padronizado com 18 anos de experiências, decisões e relacionamentos de grandes primatas. O banco reúne 262 conjuntos de dados experimentais de 150 publicações científicas entre 2004 e 2021, supervisionados pelo Centro de Pesquisa em Primatas Wolfgang Köhler. Oitenta e um primatas participaram dos estudos, a maioria em mais de um experimento.
Cooperação em grupos maiores
Estudos em pares, sob condições controladas, limitam a compreensão da cognição social. Pesquisas recentes com quartetos de primatas mostraram que grupos mais tolerantes mantiveram acesso a um recipiente de iogurte por mais tempo. A cooperação era mais forte quando o indivíduo de hierarquia mais elevada demonstrava moderação, destacando a importância de uma liderança tolerante.
Desequilíbrio na pesquisa
O banco de dados revela um desequilíbrio: chimpanzés dominam os registros, enquanto bonobos, gorilas e orangotangos são sub-representados. Bonobos, conhecidos por cooperarem na natureza fora dos limites de seu grupo, seriam sujeitos interessantes para estudos em grupos maiores.
Contexto social e desenvolvimento cognitivo
O desempenho experimental não ocorre em um vácuo social. A disposição de um primata para cooperar pode refletir interações recentes, como alisar o pelo do parceiro ou mudanças de status. Fornecer esse contexto é essencial para compreender como experiências cotidianas moldam o desenvolvimento cognitivo.
Avanços na pesquisa
O campo avança com o projeto ManyPrimates, que mostrou que a linhagem genética influencia mais a memória de curto prazo que a ecologia. Chimpanzés atualizam suas crenças considerando todas as fontes de informação, padrão antes considerado humano. Estudos comparativos entre orangotangos selvagens e em cativeiro revelaram um “efeito de cativeiro”, com selvagens sendo mais cautelosos diante de novidades.
Esses esforços apontam para uma compreensão mais ampla e contextualizada da cognição dos grandes primatas, fiel à complexidade de suas vidas sociais.



