A Geely vai começar a produzir carros no Brasil em setembro. A informação foi confirmada por Ariel Montenegro, presidente da união entre a chinesa e a Renault no Brasil, ao site Valor Econômico. O primeiro modelo nacional da marca chinesa será o EX5 EM-i, SUV híbrido plug-in que sairá da fábrica de São José dos Pinhais (PR).
Adaptação da fábrica e parceria com a Renault
A unidade paranaense passou por uma transformação para receber os veículos da Geely após a parceria firmada entre as duas fabricantes no fim de 2025. Até então, a fábrica havia produzido apenas modelos da parceira Renault ao longo de seus 28 anos de operação. O site Automotive Business foi o primeiro no mundo a noticiar que a Geely poderia se valer das instalações da Renault no Brasil. Em 2024, a publicação já comentava sobre a possível parceria entre as empresas de origem chinesa e francesa no país.
Segundo Ariel Montenegro, a adaptação dos processos industriais levou 33 dias e envolveu 2,5 mil profissionais. Além de brasileiros, chineses e franceses, o trabalho contou com alemães representantes de fornecedores. Ainda de acordo com o executivo, as mudanças já representam a “materialização da parceria”. O principal resultado da união, no entanto, aparecerá somente quando o primeiro Geely produzido no país chegar às lojas.
Antecipação de planos com o modelo elétrico EX2
Inicialmente, o acordo previa que somente o Geely EX5 EM-i seria montado no Brasil em 2026. A demanda acima do esperado pelo EX2, porém, fez a empresa antecipar seus planos. Com isso, o compacto totalmente elétrico também entrará na linha de produção de São José dos Pinhais até o fim deste ano. O modelo é atualmente o carro elétrico mais barato da Geely no mercado brasileiro e tenta disputar espaço com veículos como o BYD Dolphin Mini.
A produção dos dois modelos começará com a maior parte dos componentes importada da China. A nacionalização das peças será ampliada gradualmente, conforme a operação ganhar escala.
Fornecedores locais e pneus LingLong
A empresa também iniciou a seleção de fornecedores instalados no Brasil. Dois contratos já foram fechados com companhias que não atendiam anteriormente à Renault: a fabricante brasileira de baterias Moura e a chinesa LingLong, que produz pneus no Paraná. Assim, a tendência é de que os carros da Geely montados em São José dos Pinhais utilizarão pneus fornecidos pela LingLong. A escolha da empresa chinesa faz parte do processo de formação de uma cadeia local de componentes para os modelos da marca.
A produção com maior participação de peças nacionais será fundamental para os planos de exportação da Renault Geely. Atualmente, cerca de 30% dos veículos fabricados pela unidade paranaense são enviados a outros países.
Investimento conjunto de R$ 3,8 bilhões
Para formar a nova operação, a Geely comprou 26,4% da filial brasileira da Renault. As duas fabricantes anunciaram investimento conjunto de R$ 3,8 bilhões no desenvolvimento de novos produtos. O acordo é exclusivo para o Brasil e, inicialmente, a produção dos modelos Geely será destinada ao mercado nacional. A intenção, contudo, é transformar a fábrica de São José dos Pinhais em um centro de exportação das duas marcas. Em 2024, Automotive Business já antecipava que o objetivo da fabricante chinesa era transformar o Brasil em um hub de exportações. De acordo com Montenegro, esse movimento dependerá de um “nível expressivo” de produção com componentes nacionais.
Críticas ao governo brasileiro
Na entrevista ao Valor Econômico, o executivo também criticou a decisão do governo brasileiro de prorrogar por seis meses as cotas para importação de veículos desmontados ou semidesmontados com isenção de imposto. “Cada vez que nós tomamos a decisão de um investimento, em qualquer país, precisamos de regras claras. Essa prorrogação de cotas sem imposto nos ameaça com eventual perda de credibilidade dos investidores. Nós somos uma filial e agora uma filial de dois acionistas”, afirmou Montenegro. “Quando a Geely decidiu comprar uma boa parte da Renault e investir para produzir é porque está olhando o Brasil como um mercado estratégico”, completou.



