Ministro do STF determina bloqueio de bens
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha. A decisão, tomada no âmbito de investigações sobre desvio de emendas parlamentares, suspende despesas relacionadas às emendas suspeitas. A Polícia Federal (PF) identificou diálogos entre Cunha e uma servidora da Câmara dos Deputados sobre o direcionamento de recursos públicos, mesmo sem ele ocupar cargo eletivo desde 2016.
Atuação informal mesmo sem mandato
Segundo as investigações, Eduardo Cunha, que é apenas pré-candidato a deputado federal, atuava informalmente para direcionar emendas a municípios. A PF aponta que ele mantinha contato com uma servidora da Câmara para orientar a destinação de verbas, configurando possível tráfico de influência e desvio de finalidade. O valor bloqueado corresponde a aproximadamente R$ 6,15 milhões, montante que será retido até o esclarecimento dos fatos.
Decisão de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino acolheu o pedido da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), destacando indícios de irregularidades. "Há elementos suficientes que demonstram a possível utilização indevida de emendas parlamentares, com participação ativa do investigado, mesmo sem mandato", afirmou Dino na decisão. O bloqueio atinge contas bancárias, veículos e imóveis de Cunha, que poderá recorrer.
Contexto da investigação
Eduardo Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, quando teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Desde então, responde a diversos processos judiciais. A nova investigação apura se ele utilizou sua influência política para beneficiar prefeituras em troca de vantagens indevidas, com a intermediação de uma servidora da Casa. A PF já ouviu testemunhas e analisa documentos e mensagens apreendidas.
Impacto e próximos passos
O bloqueio de bens visa garantir o ressarcimento aos cofres públicos caso as suspeitas sejam confirmadas. A defesa de Eduardo Cunha ainda não se manifestou oficialmente. O caso tramita em segredo de justiça, mas a decisão de Flávio Dino representa mais um capítulo na longa trajetória judicial do ex-deputado, que já foi condenado em outras ações por corrupção e lavagem de dinheiro.



