O governo brasileiro está em uma ofensiva diplomática para convencer os Estados Unidos a desistirem da tarifa que pode chegar a 37,5% sobre o aço brasileiro. A medida, anunciada pela administração Trump, afeta diretamente as exportações do setor siderúrgico nacional, que já sofre com a queda na demanda global.
Negociações em curso
Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil tem buscado argumentos técnicos e comerciais para demonstrar que a tarifa é injustificada e prejudica ambos os países. “O aço brasileiro não representa ameaça à segurança nacional dos EUA. Pelo contrário, é um insumo de qualidade que abastece a indústria americana”, afirmou um diplomata envolvido nas negociações.
As conversas ocorrem em meio a um cenário de tensão comercial global, com os EUA impondo tarifas também sobre outros produtos, como alumínio. O Brasil, por sua vez, já ameaçou retaliar com medidas semelhantes, mas busca evitar uma escalada.
Impacto econômico
A tarifa de 37,5% pode reduzir significativamente as exportações brasileiras de aço para os EUA, que em 2023 somaram US$ 2,5 bilhões. O setor siderúrgico nacional emprega cerca de 150 mil trabalhadores e a medida pode levar a demissões e fechamento de plantas.
“A indústria do aço no Brasil já opera com margens apertadas. Uma tarifa desse porte inviabiliza a competitividade”, disse o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. Ele estima que as exportações podem cair até 40% caso a tarifa seja mantida.
Próximos passos
O governo brasileiro planeja enviar uma missão comercial a Washington ainda este mês para tentar reverter a decisão. Além disso, o presidente Lula deve abordar o tema em conversa com o presidente Joe Biden durante a próxima cúpula do G20.
Enquanto isso, o mercado financeiro acompanha de perto as negociações. O dólar fechou a R$ 5,20 nesta sexta-feira, influenciado também pela incerteza comercial. Especialistas avaliam que uma solução amigável seria o melhor cenário para ambos os países.



